Brasil Centrão avalia tirar Coaf de Moro em votação de MP dos ministérios

Centrão avalia tirar Coaf de Moro em votação de MP dos ministérios

Descontentes com articulação do governo, conjunto de parlamentares ameaça obstruir sessão que está prevista para acontecer nesta quarta-feira, às 14h30

Centrão estuda tirar Coaf do Ministério da Justiça e Segurança Pública

Centrão estuda tirar Coaf do Ministério da Justiça e Segurança Pública

Pedro Ladeira/Folhapress - 30.03.2017

Os partidos do Centrão no Congresso ainda estudam um movimento para tirar o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiros) do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A Medida Provisória que reorganizou a estrutura ministerial do governo e que colocou o órgão na Pasta do ministro Sergio Moro deve ser votada nesta quarta-feira (8) às 14h30, em uma comissão formada por deputados e senadores.

As legendas do Centrão, especialmente PP e PR, devem se reunir antes da sessão do colegiado para analisar o parecer do senador Fernando Bezerra Coelho (MDE-PE), que fez 18 alterações no texto original da medida assinada pelo presidente Jair Bolsonaro.

Descontentes com a articulação do governo, esses partidos ameaçam ainda obstruir a sessão de votação nesta quarta. De acordo com parlamentares ouvidos pelo Broadcast Político, um destaque — ou seja, uma sugestão de alteração no parecer que é votada separadamente — sobre o item pode ser apresentado na comissão.

No governo, o discurso é que a permanência no Coaf sob o guarda-chuva de Moro é essencial para a troca de informações sobre movimentações financeiras com outros órgãos de investigação. A concentração de poderes com o ministro é uma preocupação manifestada reservada por parlamentares.

O líder do PR na Câmara, Wellington Roberto (PB), rebateu o argumento do governo afirmando que o Coaf faria seu papel em qualquer estrutura que estiver. "Onde estiver, seja coordenado pelo ministério que for, ele vai cumprir o seu papel. Não é por força de ministério nenhum que o Coaf vai deixar de cumprir o papel", declarou o parlamentar ao Broadcast Político, pontuando que tanto na pasta da Justiça quanto na Economia o órgão continuaria com condições de trocar informações. "Para a gente aqui, era bom que ele ficasse onde sempre foi (na Economia). Mas se ficar na Justiça, está ótimo."

Além do Coaf, o Centrão chegou a estudar a possibilidade de pedir a saída do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) do ministério de Sergio Moro. "Houve uma pressão de alguns segmentos, mas a gente disse que deixasse na Justiça para não polemizar, porque essa questão do Coaf já polemizou demais", comentou Roberto.

Na terça-feira (7) o senador Fernando Bezerra, que é líder do governo no Senado, projetou uma votação apertada para aprovar o relatório, mas suficiente para o parecer ser encaminhado aos plenários da Câmara e do Senado: 15 ou 16 votos dos 28 membros da comissão. São necessários, no mínimo, 15 votos favoráveis para aprovar o parecer. A medida provisória perde a validade no dia 3 de junho se não for votada até essa data pelo Congresso.

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