Como articulador, Temer ganha autonomia para fazer nomeações
Presidente disse que o vice "tem todas as condições" de desempenhar a nova função
Brasil|Do R7

Ao assumir a função de articulador político do governo, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) recebeu poderes da presidente Dilma Rousseff para decidir nomeações de cargos. A falta de poder para nomeações era apontada como o maior empecilho enfrentado pelos ministros que precederam Temer na função durante o primeiro governo Dilma.
"A autonomia dele está dada pelo fato de que ele integra o governo, é do coração do governo, não é uma pessoa estranha ao governo. Ele vive o dia a dia do governo", respondeu a presidente ao ser questionada, em rápida entrevista, ontem, em Duque de Caxias (RJ).
Dilma disse que o vice "tem todas as condições" de desempenhar a nova função.
— Primeiro, ele tem a autoridade de ser vice-presidente. Segundo, tem experiência da vida dele, inclusive como presidente da Câmara Federal. Ele tem imensa capacidade para o diálogo, para construir consenso, para construir toda relação que é necessária em uma coalizão da envergadura da nossa.
Parceria
Em São Paulo, o vice-presidente disse que, com autorização de Dilma, vai levantar cargos e demandas dos parlamentares como parte do trabalho de recompor a base aliada.
— A presidenta me deu poderes para tanto. Evidentemente, sempre conversarei com ela, mas eu tenho autonomia para fazer todos levantamentos não só nesse ponto.
Ele minimizou a dimensão da crise política.
— Não há ingovernabilidade. Eu sou vice-presidente da República, quando a presidente me pediu [para assumir a articulação], ela disse nós somos parceiros, você vai me ajudar a governar.
Nesta quinta-feira (9), Temer se encontrou durante uma hora e meia com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O tema principal da conversa foi a reforma política mas o vice-presidente revelou que Lula aprovou sua ida para a articulação política.
— Delicadamente, ele disse que talvez eu me saia bem.
A expectativa para a nova tarefa de Temer é "a melhor possível" também para Dilma.
— O vice-presidente, como qualquer pessoa que integra o governo, leva em consideração o fato de que a nossa base é integrada por diversos partidos.















