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Como procurador, Temer aprovou compras superfaturadas de US$ 310 milhões do governo de SP

Sobrepreço em equipamentos para universidades chegavam a 2.802% em alguns casos

Brasil|Do R7

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Temer elogiou procedimento de compra superfaturado
Temer elogiou procedimento de compra superfaturado

Há 25 anos, quando Michel Temer ocupava o cargo de procurador-geral do Estado de São Paulo, durante a gestão de Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB), ele deu um parecer favorável a uma compra superfaturada do governo estadual, do antecessor, Orestes Quércia. Tratava-se da aquisição de equipamentos para universidades, no valor de US$ 310 milhões. As informações são de uma reportagem do jornalista Frederico Vasconcelos, da Folha de S.Paulo.

Apesar de questionada a importação de equipamentos israelenses, Temer alegou na ocasião: “Não há o que criticar em matéria de legalidade e da regularidade da contratação”.


O então secretário de Ciência e Tecnologia, Severo Gomes, não concordava e resolveu pedir uma opinião ao advogado Miguel Reale Júnior — um dos autores do processo de impeachment contra Dilma. No parecer, ele sustentou que se tratava de “um estelionato consumado”.

Sem sucesso na defesa de que havia uma fraude, com o aval de Michel Temer, Severo Gomes pediu demissão, alegando que a missão dele se encerrou porque não podia “impedir esse tipo de coisa” no governo.


Severo Gomes suspeitava que US$ 100 milhões da operação seriam usados na campanha de Quércia à Presidência, em 1994.

Quais são as suspeitas e ameaças que pairam sob Temer


Policiais federais e peritos indicados pela Justiça comprovaram que havia superfaturamento que variava entre 607% e 2.802%. Os contratos levantavam todo tipo de suspeita, inclusive um deles foi assinado às pressas, sem descrição dos produtos, no valor de US$ 70 milhões.

“Seja pelo plano ético, seja pelo jurídico, o fato da celeridade não pode ser considerado uma irregularidade. Diferentemente até, deveria ser um exemplo para todos os atos da administração”, argumentou Temer.

Mesmo com a legalidade atestada por Michel Temer, Fleury foi obrigado a rescindir os contratos de importação dos equipamentos. As empresas envolvidas tiveram que devolver o dinheiro pago como sinal (US$ 14,2 milhões). Ninguém foi responsabilizado criminalmente pela fraude.

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