Brasil Conselho do Ministério Público censura Dallagnol por atacar Renan

Conselho do Ministério Público censura Dallagnol por atacar Renan

Parlamentar havia entrado com reclamação contra procurador por ele ter postado em 2019 mensagens contra sua eleição à presidência do Senado

  • Brasil | Do R7

Dallagnol teria feito campanha contra Renan no Twitter

Dallagnol teria feito campanha contra Renan no Twitter

Agência Brasil

O CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público aplicou nesta terça-feira (8) uma derrota ao procurador da República Deltan Dallagnol. Por nove votos a um, o órgão decidiu censurá-lo por críticas feitas ao senador de Alagoas Renan Calheiros (MDB) em 2019.

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O ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, que deixou o cargo na semana passada, era acusado por Renan Calheiros de ter feito uma campanha contra sua candidatura à presidência do Senado. Davi Alcolumbre (DEM-AP) acabou eleito.

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Na ocasião, Dallagnol publicou em seu Twitter mensagens nas quais dizia que o combate à corrupção ficaria comprometido com a eleição de Renan.

Ele também atacou desde o início do processo eleitoral a possilbidade de voto fechado, que daria mais chance a Renan Calheiros — a forma escolhida foi a aberta, obrigando os parlamentares a declararem suas preferências.

O relator do caso no CNMP, Otávio Rodrigues, defendeu a censura e citou um voto do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, no qual ele afirmou que os homens públicos tinham que zelar por suas opiniões e pelas consequências de suas atitudes.

Rodrigues afirmou que o procurador “ultrapassou os limites da simples crítica" e teve interferência direta na eleição do Senado, mobilizou a opinião pública contra um dos postulantes ao cargo por intermédio de redes sociais, repercussão pública do ato e a confissão de que foram realmente dele as postagens no Twitter.  

Ele não viu, no entanto, atividade político-partidária por não haver vínculo direto entre Dallagnol e um partido.

O conselheiro Sílvio Roberto de Oliveira de Amorim Júnior foi o único voto discordante. Para ele, a opinião de procuradores e promotores é sempre válida, pois eles "possuem a possiblidade de falar sobre questões que dizem respeito ao Estado brasileiro".

Luciano Maia afirmou que Dallagnol quebrou o decoro ao utilizar a projeção e importância de seu cargo como coordenador da Lava Jato para influir na eleição do Senado. Ele, ao contrário do relator, viu uma clara atuação político-partidária do procurador.

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