Contadora de doleiro preso em operação da PF diz que vai processar deputado Luiz Argôlo
Doleiro Alberto Youssef foi preso em março deste ano na operação ‘Lava Jato’ da Polícia Federal
Brasil|Bruno Lima, do R7
A contadora Meire Bonfim da Silva Poza, que trabalhou para o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato da Polícia Federal, afirmou, nesta quarta-feira (3), que vai processar o deputado federal Luiz Argôlo (SD-BA) por difamação. Meire se defendeu das acusações do parlamentar de que ela teria tentado extorqui-lo em um valor de R$ 250 mil.

A contadora também apresentou a jornalistas um áudio gravado por ela durante um jantar com o advogado do parlamentar. Na gravação, Meire alega que o advogado Aluísio Lundgren se ofereceu para defendê-la em uma possível investigação da PF (Polícia Federal) e que ela, portanto, não teria extorquido o parlamentar e sim teria sido procurada pelo advogado dele. A contadora também informou que recebeu um recado de Youssef quando ele já estava preso informando que o caso do Grande Moinho Cearense deveria ser resolvido com o Argôlo.
O deputado Luiz Argôlo responde a processo no Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro parlamentar em função das relações que mantinha com o doleiro Yousseff. Mensagens que mostram a ligação entre os dois, inclusive com indícios de negócios ilícitos, foram interceptadas pela PF. Nesta terça-feira (2) Argôlo garantiu que não tem qualquer sociedade com o doleiro e explicou que a troca de mensagens tratava unicamente de um negócio privado de família.
Meire declarou que não é ré, e sim testemunha no processo da Operação Lava Jato. Ela também disse que o deputado André Vargas (sem partido – PR) foi citado durante a conversa com Lundgren.
— O advogado Lundgren se ofereceu para entrar em contato com o deputado André Vargas para resolver o pagamento do jatinho. Fui eu que fiz o pagamento de R$ 115 mil. Saiu da conta da minha empresa.
Vargas também é acusado de envolvimento com Alberto Youssef. O parlamentar teria usado um jatinho do doleiro para passar férias na Paraíba. O pedido de cassação do mandato de Vargas foi aprovado pelo Conselho de Ética da Câmara. Ele entrou com um recurso contra a decisão na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).
Em depoimento prestado em 13 de agosto, Meire depôs no Conselho de Ética da Câmara e afirmou que emitiu notas para o doleiro e para Argôlo com a empresa Grande Moinho Cearense. Como as notas foram emitidas em seu nome, Meire aceitou se encontrar com Lundgren.
— Eu quis ter o direito de resposta às alegações feitas ontem (2) pelo deputado Luiz Argôlo. Infelizmente eu não tive esse direito de resposta na Câmara e por isso eu vim aqui hoje.
A contadora afirmou que apresentará o áudio à Justiça.
Relator
O deputado Marcos Rogério (PDT-RO), relator do processo contra o deputado Luiz Argôlo (SD-BA) no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, comentou as declarações de Meire Poza. O parlamentar esclareceu que as informações apresentadas hoje (3) pela contadora não serão consideradas no processo de cassação de mandato contra Argôlo.
— A instrução do caso Argôlo foi encerrada ontem. Portanto qualquer fato ou documento novo não pode ser recebido pelo relator sob pena de anulação do processo.
Rogério afirmou ter informações suficientes para a elaboração do parecer. O prazo final para o encerramento do processo é 24 setembro.
Operação Lava Jato
O doleiro Alberto Yousseff foi preso durante a Operação Lava Jato da Polícia Federal, eflagrada no dia 17 de março deste ano. A operação desarticulou uma organização que tinha como objetivo a lavagem de dinheiro em seis Estados e no Distrito Federal.
Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado, “além de envolver alguns dos principais personagens do mercado clandestino de câmbio no Brasil”, é responsável pela movimentação financeira e lavagem de ativos de diversas pessoas físicas e jurídicas envolvidas em crimes como tráfico internacional de drogas, corrupção de agentes públicos, sonegação fiscal, evasão de divisas, extração e contrabando de pedras preciosas e desvio de recursos públicos.
A operação foi intitulada Lava Jato porque o grupo usava uma rede de lavanderias e postos de combustíveis para movimentar o dinheiro.
Em um dos inquéritos, são investigados supostos desvios de recursos públicos na construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. No processo, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e outros acusados são investigados por lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público, a obra foi orçada em R$ 2,5 bilhões e os gastos já chegaram a R$ 20 bilhões.















