CPI do Cachoeira será prorrogada por 48 dias
Prorrogação deve ser lida no plenário nesta quarta
Brasil|Do R7, em Brasília, com Agência Senado
A CPI do Cachoeira será prorrogada por mais 48 dias. O requerimento de prorrogação dos trabalhos será lido no plenário do Senado Federal ainda nesta quarta-feira (31), de acordo com líderes da base governista, que conseguiram as assinaturas para protocolar o pedido.
Com a prorrogação de 48 dias a partir de 4 de novembro, prazo inicial para o fim dos trabalhos, a comissão vai trabalhar até 22 de dezembro, quando acaba o ano legislativo de 2012.
Como o prazo é relativamente pequeno, os mais de 500 requerimentos que pediam a quebra de sigilo das empresas "fantasmas" que recebiam repasses da construtora Delta e convocavam novas figuras ligadas ao esquema de exploração de jogos ilegais no DF e em Goiás podem não ser votados.
Os parlamentares da CPI estavam em um impasse de por quanto tempo seria prorrogada a comissão. Os governistas queriam 48 dias e os deputados e senadores da oposição brigavam por 180 dias.
Os governistas conseguiram a assinatura de 212 deputados e 34 senadores. Para ser protocolado, são necessárias as assinaturas de 171 deputados e 27 senadores.
O relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), defendeu o prazo de 48 dias e disse que o pedido já é de conhecimento de todos.
— O pedido já foi apresentado e creio que nesta quarta-feira mesmo pode ser lido pelo presidente Sarney no Plenário do Senado.
Críticas
A decisão provocou a revolta dos parlamentares que defendem 180 dias de prorrogação. Os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Álvaro Dias (PSDB-PR) acreditam até que não conseguirão as assinaturas necessárias para a obtenção de um tempo mais dilatado.
Para Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), foi o “molho da pizza” servida pela comissão de inquérito. Álvaro Dias, por sua vez, lamentou a chance perdida pelo Congresso de recuperar a “credibilidade” da instituição.
— Os parlamentares se transformaram em verdadeiros pizzaiolos. Hoje foi decretado o sepultamento da CPI, com este enterro medíocre. Não temos mais esperança. O governo passou o rolo para valer, tem maioria esmagadora e a prorrogação de 48 dias significa o fim da CPI agora, pois não há tempo de receber mais informações nem disposição para mais quebras de sigilo.
O senador Pedro Taques (PDT-MT) também não concordou com a prorrogação de 48 dias e afirmou que a comissão está “jogando o lixo para baixo do tapete”. O parlamentar é um dos que defendem novas quebras de sigilos bancários, fiscais e telefônicos de dezenas de empresas que teriam recebidos recursos públicos supostamente desviados pela empreiteira Delta.
Defesa
O deputado Odair Cunha rebateu as críticas. Para ele, haveria enterro da CPI se o relatório não fosse finalizado.
— Nós estamos fazendo uma investigação aprofundada no prazo que o Congresso Nacional nos deu, que foi de seis meses. Essa prorrogação de 48 dias é necessária para uma discussão transparente de todos os pontos do relatório.
Para o deputado, a CPI conseguiu desmontar uma organização criminosa infiltrada no aparelho estatal, corrompendo parlamentares e agentes do Executivo. Na opinião dele, outras linhas de investigação abertas pela comissão devem ser investigadas por outros órgãos.
— Um processo de investigação sempre leva a outro. A operação Monte Carlo [responsável pela prisão de Cachoeira em 29 de fevereiro], por exemplo, levou a oito novas linhas investigatórias. Com certeza, nosso relatório vai produzir novas frentes, que poderão até mesmo resultar na criação de novas CPIs. Todas as movimentações suspeitas da Delta.














