Déficit em transações correntes soma US$7,4 bi em fevereiro e IED não financia rombo
Brasil|Do R7
BRASÍLIA, 24 Mar (Reuters) - O Brasil registrou déficit recorde em transações correntes para meses de fevereiro, com o rombo não sendo financiado pelos investimentos estrangeiros diretos no país reforçando o quadro de piora das contas externas do país.
Em fevereiro o déficit em transações correntes ficou em 7,445 bilhões de dólares, enquanto o IED somou 4,132 bilhões de dólares, informou o Banco Central nesta segunda-feira.
No acumulado em 12 meses encerrados no mês passado, o déficit em conta corrente do país ficou em 3,69 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).
Economistas consultados pela Reuters previam saldo negativo da conta corrente de 8 bilhões de dólares no mês passado.
A pesquisa também indicou que as expectativas eram de que o IED ficaria em 3,8 bilhões de dólares no mês passado.
O déficit nas transações correntes --que abrangem a importação e a exportação de bens e serviços e as transações unilaterais do Brasil com o exterior-- foi impactado pelos saldos negativos do mês passado em serviços e na balança comercial, que somaram 3,480 bilhões de dólares e 2,125 bilhões de dólares, respectivamente. Os valores superam os 3,132 bilhões de dólares em serviços e o 1,279 bilhão de dólares na balança registrados em fevereiro do ano passado.
Também pesaram negativamente as remessas de lucros e dividendos, que alcançaram 1,286 bilhão de dólares em fevereiro, superior aos 2,174 bilhões de dólares do mesmo período do ano passado.
Em serviços, destacaram-se os gastos líquidos de brasileiros no exterior que atingiram 1,324 bilhão de dólares no mês passado, também maior do que a despesa de 1,238 bilhão de dólares no mesmo período de 2013.
No acumulado do ano o déficit em transações correntes está em 19,036 bilhões de dólares, com o BC estimando saldo negativo de 80 bilhões de dólares para este ano, acima da projeção inicial de saldo negativo de 78 bilhões de dólares.
Na semana passada durante audiência no Senado Federal, o presidente do BC, Alexandre Tombini, buscou minimizar rombo nas contas externas ao dizer que parcela significativa do déficit vem sendo financiada pelo investimento externo produtivo. Ele também disse que a economia mundial atravessa um período de transição e que o Brasil não deve ser avaliado como uma economia vulnerável.
(Por Luciana Otoni)















