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Delator fica frente a frente com Cerveró e Fernando Baiano na Justiça

Paulo Roberto Costa deve voltar hoje para o Rio de Janeiro, onde cumpre prisão domiciliar

Brasil|, com Agência Brasil

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O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa foi ouvido nesta sexta-feira (13) pela Justiça Federal, em Curitiba. Durante duas horas, ele prestou depoimento e ficou cara a cara com ex-diretor da área Internacional da estatal Nestor Cerveró e com o lobista Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano — ambos apontados como elos do PMDB na arrecadação de propina na companhia.

Costa e o doleiro Alberto Youssef, dois delatores da Operação Lava Jato, que investiga um bilionário esquema de corrupção da Petrobras, são testemunhas de acusação no processo criminal em que foram denunciados Cerveró e Baiano. A outra testemunha, o advogado Carlos Alberto Costa, que trabalhava para Youssef, falou durante 15 minutos.

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Youssef apenas acompanhou um dos depoimentos previstos para esta sexta.

Costa — que admitiu ser parte do esquema que arrecadava de 1% a 3% de propina em contratos da Petrobras a partir de 2004 — vai confrontar Cerveró e Fernando Baiano, que até agora negaram integrar a organização criminosa denunciada pela força-tarefa da Lava Jato. Ele deve voltar para o Rio, onde cumpre prisão domiciliar, ainda nesta sexta. Cerveró está preso na Custódia da PF em Curitiba, base da Lava Jato.

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Costa discorda de suposto valor dos desvios

Durante seu depoimento, Costa considerou o prejuízo de R$ 88,6 bilhões, estimado com as perdas por corrupção na Petrobras, como um "equívoco gigantesco". Nos esclarecimentos prestados ao juiz federal Sérgio Moro, o ex-diretor afirmou que o pagamento de propina ocorria apenas nos contratos das empreiteiras que faziam parte do cartel nos contratos com a estatal.

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"A Petrobras tem milhares de contratos. Os contratos que teve problema de propina foram os contratos das empresas do cartel. Eu listei [na delação] 12 ou 13 empresas do cartel. Se olhar o número de empresas que tem contrato com a Petrobras, são centenas de empresas. Há um equívoco gigantesco nesse número que se fala aí", disse.

O levantamento sobre o prejuízo foi feito por consultorias independentes e indicou que a Petrobras teria acumulado prejuízo de R$ 88,6 bilhões com os casos de corrupção. No entanto, o valor foi desprezado, porque a metodologia foi considerada inadequada. Após a divulgação do número, a ex-presidenta da estatal Graça Foster renunciou ao cargo. 

Costa foi ouvido na ação penal em que Nestor Cerveró e o empresário Fernando Soares são réus. Ele teria direito de ficar em silêncio, mas foi obrigado a responder as perguntas por ter assinado acordo de delação premiada.

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