Brasil Delegado afastado da PF no AM fala em 'organização criminosa'

Delegado afastado da PF no AM fala em 'organização criminosa'

Alexandre Saraiva disse, ainda, que não há como vincular sua saída ao fato de ter apresentado notícia-crime contra Ricardo Salles

  • Brasil | Do R7

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, alvo de notícia-crime apresentada pelo delegado Alexandre Saraiva

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, alvo de notícia-crime apresentada pelo delegado Alexandre Saraiva

Joédson Alves/EFE - 09.12.2020

O ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, afirmou, em entrevista à Record TV Manaus, que não há como vincular seu afastamento do cargo ao fato de ter apresentado notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ao Supremo Tribunal Federal (STF). O diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino, substituiu Saraiva pelo delegado Leandro Almada.

"Não dá para vincular os fatos. É um cargo de confiança e o diretor-geral coloca e tira quem ele quiser, dentro dos requisitos da lei", disse Saraiva. A notícia-crime apresentada por ele aponta, contra Salles, indícios de obstrução de investigação ambiental, organização criminosa e favorecimento de madeireiros. 

Segundo o ex-superintendente, há uma organização criminosa atuando na região. "Existem casos de pessoas com diversas condenações por tráfico de drogas que estão extraindo madeira", disse. Questionado sobre a ligação dessa organização com representantes do poder público, Saraiva foi evasivo. "Não estou dizendo que estão envolvidos. A organizacao atua desse jeito em vários estados. Narrei o fato ao STF. Se há envolvimento não sei, não me cabe esse juízo."

Quem é o sucessor

O sucessor de Saraiva, Almada, já atuou como número 2 do atual chefe da PF no Amazonas e já foi responsável pelo grupo de investigações ambientais sensíveis na superintendência.

Saraiva estava há quatro anos na chefia da PF da Amazonas e já houve ensaios para sua saída da superintendência. O delegado foi o pivô da primeira crise entre o ex-ministro da Justiça Sergio Moro e o presidente Jair Bolsonaro, em 2019.

Na ocasião, após Bolsonaro antecipar a saída do delegado Ricardo Saadi da superintendência da PF no Rio e a corporação indicar que o chefe da unidade fluminense seria Carlos Oliveira para a vaga, Bolsonaro afirmou que ‘ficou sabendo’ que Saraiva, próximo dos filhos do presidente, iria assumir o posto na superintendência.

O delegado chegou a prestar depoimento sobre o caso no âmbito do inquérito aberto para investigar suposta tentativa de interferência política do presidente na PF.

Desde que assumiu a direção-geral da PF, Maiurino já definiu os integrantes da cúpula da corporação durante a sua gestão e ainda decidiu fazer mudanças nas superintendências de São Paulo, Santa Catarina e Bahia.

Últimas