Deputados discordam sobre possível racionamento de energia
Ministro Lobão descartou falta de eletricidade
Brasil|Da Agência Câmara

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou, nesta quarta-feira (9), que não vai haver racionamento de energia e que está mantida a redução de 20% nas contas de luz.
Lobão participou da primeira reunião do ano do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, que avalia o suprimento de energia do País e disse que o Brasil tem um "estoque firme" para sustentar o consumo nos próximos meses.
De acordo com o ministro, a reserva de energia hoje é de cerca de 121 mil megawatts, bem mais elevado do que em 2001, quando houve racionamento de energia e o total disponível era de 70 mil megawatts.
Ministro volta a afastar risco de apagão
Leia mais notícias de Brasil no Portal R7
O ministro também assegurou que as indústrias continuarão sendo abastecidas normalmente e que a situação dos reservatórios tende a melhorar por conta das recentes chuvas registradas em todas as regiões. A escassez de chuvas reduziu os níveis dos reservatórios que alimentam as usinas hidrelétricas, o que fez o governo recorrer às termelétricas.
Repercussão
Para o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), integrante da Comissão de Minas e Energia e presidente da Frente Parlamentar da Infraestrutura Nacional, a situação é delicada por conta do risco na oferta de energia. Ele atribui o atual cenário à falta de planejamento do governo e à dificuldade na obtenção de licenciamento ambiental para uma série de empreendimentos na área.
Jardim aponta medidas para ajudar o setor e que serão incentivadas pela frente parlamentar já no início dos trabalhos legislativos, a partir de fevereiro. Entre essas ações, estão a realização de leilões específicos conforme a fonte energética, a fim de incentivar a energia gerada a partir da biomassa, e a adoção de procedimentos administrativos que deem maior agilidade nos licenciamentos ambientais e no sistema de geração de hidroeletricidade.
— E, finalmente, precisamos recuperar as Pequenas Centrais Hidroelétricas, que estão hoje inviáveis economicamente.
Já o deputado Fernando Ferro (PT-PE), que também integra a Comissão de Minas e Energia, descarta o risco de racionamento imediato por conta dos investimentos maciços do Executivo na área de geração de energia, como é o caso dos empreendimentos no rio Madeira e a hidrelétrica de Belo Monte.
Ferro reconhece que o Brasil passa por uma das piores estiagens dos últimos 50 anos, mas ressalta que o País possui alternativas para o abastecimento de energia, como as termoelétricas, o que afasta a possibilidade de falta de energia.
— Compreendo que há uma preocupação justa por conta da situação climática, porém há também uma motivação política de querer criar um clima de que nós estaríamos à beira de um colapso energético. Isso é do uso da disputa política, mas me parece que é mais exagero
Especialista
Na avaliação do professor de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília Rafael Shayani, há muito barulho sem um problema real à vista, uma vez que o sistema elétrico brasileiro é monitorado diariamente.
Segundo ele, o crescimento econômico aumentou o consumo de energia, houve um alerta preventivo, mas há tempo hábil para a adoção de medidas que garantam o abastecimento. Por outro lado, Shayani diz que é necessária uma reflexão quanto à energia térmica, que é mais cara e poluente porque utiliza gás e óleo combustível.
Na opinião do docente, poderia ter havido mais investimentos em fontes renováveis de energia, como a geração distribuída, prática regulamentada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em abril 2012 conforme a qual cada consumidor pode ter em sua casa pequenos equipamentos de energia solar e eólica.
— É chamada microgeração eólica, na qual a energia que você gera, você consome na sua casa; se a casa estiver vazia e ventar ou fizer sol, você pode emprestar à rede elétrica a energia não consumida.
As pessoas interessadas já podem procurar uma empresa especializada para fazer a instalação e a concessionária de distribuição fica responsável por ligar o sistema.
De acordo com o professor, se a instalação fosse feita nos 60 milhões de telhados brasileiros, seria gerada uma energia "considerável", capaz de diminuir a dependência de outras fontes.















