Deputados estudam estratégias para tirar Feliciano da presidência da Comissão de Direitos Humanos
Decidido a não renunciar, deputado será alvo de processo por quebra de decoro
Brasil|Carolina Martins, do R7, em Brasília

Após mais uma recusa do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) de renunciar à presidência da CDHM (Comissão de Direitos Humanos e Minorias), nesta terça-feira (9), as lideranças partidárias estudam qual a melhor forma de tirar o parlamentar da comissão.
A reunião de líderes com o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), deixou claro que o clima de tensão vai continuar porque Feliciano está decido a continuar no cargo, mesmo sendo alvo de protestos de movimentos sociais, artistas e outros políticos.
Segundo o líder do PSOL, deputado Ivan Valente (SP), há três possibilidades de afastar Feliciano da CDHM. Uma delas é tentar negociar com o deputado a presidência de outra comissão.
— Há proposta de troca de comissões, que já apareceu pelo PSB, mas ainda não formalizada. E tem proposta para aumentar o número de integrantes na comissão para que ele fique em minoria e se inviabilize a sua direção na Comissão de Direitos Humanos.
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Segundo o líder do PSOL, outra estratégia é a de julgar rapidamente, tanto na Corregedoria como no Conselho de Ética, o processo por quebra de decoro parlamentar contra Feliciano. A aposta é que o deputado seja cassado e perca o mandato.
Sessões abertas
Durante uma hora e meia de reunião, nenhuma questão foi definitivamente resolvida, mas o presidente da Casa foi bastante enfático ao afirmar que as sessões da Comissão não podem ser fechadas ao público, como decidiu Feliciano.
De acordo com o deputado Ian Valente, houve consenso entre os líderes sobre a questão e, pelo menos no início, a sessão desta quarta-feira (10) será aberta aos manifestantes.
No entanto, o líder do PSC avisou que tudo vai depender do “comportamento dos manifestantes”.
— Nunca foi intenção do pastor Marco Feliciano de fechar as reuniões, desde que haja, por parte dos manifestantes, um comportamento que permita a ele presidir as sessões.
Na última quarta-feira (3), a sessão foi fechada para o público e Feliciano apresentou aos integrantes da Comissão de Direitos Humanos a proposta de realizar as sessões “abertas, porém restritas” somente a deputados, assessores de parlamentares e jornalistas.
O deputado alegou que sem os manifestantes ele conseguiu conduzir os trabalhos e, na ocasião, ficou definido que o público estaria proibido de entrar no plenário durante as sessões.
Polêmica
Marco Feliciano está sendo alvo de críticas e protestos desde que assumiu a presidência da CDH. Isso porque ele é acusado de dar declarações racistas e homofóbicas em redes sociais.
Integrantes de grupos de minorias pedem que ele renuncie o cargo e alegam que o deputado não os representa.
Além disso, Feliciano é acusado de estelionato, por ter recebido R$ 13 mil para realizar dois cultos religiosos sem, no entanto, comparecer aos eventos.
Por ter foro privilegiado, o processo contra o deputado está no STF (Supremo Tribunal Federal). Na semana passada ele prestou depoimento na Corte, para apresentar sua defesa.















