Dilma aponta "chantagem explícita" de Cunha e diz que acusações são "pretextos" contra governo legítimo
Presidente afastada se emocionou ao lembrar tortura na Ditadura e vitória sobre câncer
Brasil|Do R7

A presidente da República afastada, Dilma Rousseff (PT), discursou por 46 minutos nesta segunda-feira (29) no plenário do Senado Federal para se defender no processo de impeachment pelas supostas "pedaladas fiscais".
Em sua fala, a petista disse que a ação contra ela é fruto de uma "chantagem explícita" do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e afirmou aos parlamentares que as acusações contra ela são "meros pretextos" para derrubar um governo legítimo.
— São pretextos, apenas pretextos, para derrubar, por um processo de impeachment, sem crime de responsabilidade, um governo legítimo [...] com participação de 110 milhões de brasileiros. [...] São pretextos para viabilizar um golpe na Constituição.
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A presidente disse que foi alvo de uma "chantagem explicita" do ex-presidente da Câmara, que foi alvo de um processo de afastamento do cargo no Conselho de Ética da Casa. Na época, segundo ela, os votos dos deputados do PT contribuíram para a aprovação do parecer contra o peemedebista.
Eventual saída
Com um discurso notadamente focado na emoção, a presidente disse que sua eventual saída definitiva do Palácio do Planalto vai significar um aumento da pobreza no País. Dilma disse que, em pouco mais de três meses, o governo Temer se mostrou "um governo que dispensa os negros na composição ministerial" e listou conquistas que estão em jogo.
Disse que "o que está em jogo não é apenas o meu mandato, está em jogo o respeito às urnas e a vontade do povo brasileiro e à Constituição". Dilma citou "os ganhos da população", "investimento em obras para combater a seca no semiárido", o "pré-sal" e "a capacidade do País de realizar com sucesso a Copa do Mundo, as Olimpíadas e as Paralimpíadas".
A petista afirmou ainda que existe uma ameaça à previdência social do País — o presidente interino Michel Temer já sinalizou uma reforma no setor caso seja confirmado no posto pelo Senado Federal. Segundo Dilma, porém, a "ameaça mais assustadora é congelar por inacreditáveis 20 anos as despesas com saúde, educação e saneamento".
— No presidencialismo, previsto na nossa Constituição, não basta a eventual perda de maioria parlamentar para afastar um presidente, há que se configurar crime de responsabilidade e está claro que não houve tal crime. [...] Quem afasta o presidente pelo conjunto da obra é o povo e só o povo pelas eleições.
Emoção
Como já fez em outras ocasiões, Dilma disse que foi reeleita com 54 milhões de votos em outubro de 2014, que respeita a Constituição e que, entre seus defeitos, "não está a covardia". A petista relembrou a Ditadura, da qual foi alvo, e disse não não vai parar de lutar pela democracia.
— Na luta contra a Ditadura, recebi no meu corpo as marcas da tortura. Amarguei o sofrimento da prisão por anos. Vi companheiros e serem violentados e até assassinados. Na época, tinha medo da morte, das sequelas da tortura no meu corpo e alma. Mas resisti. Resisti à tempestade de terror. [...] apesar de receber o peso da injustiça nos meus ombros, continuei lutando pela democracia.
No final da fala, com a voz notadamente embargada, Dilma relembrou das marcas físicas e psicológicas da tortura do período editorial e do câncer que venceu, doença que, segundo ela, poderia "abreviar" a sua vida.
— Hoje eu só temo a morte da democracia. Respeito meus julgadores. [...] Faço um apelo final a todos os senadores: não aceitem um golpe que ao invés de solucionar, agravará a crise brasielira. Peço que façam justiça a uma presidente [...] votem sem ressentimento. [...] Votem contra o impeachment.















