Dilma convoca ministro interino de Minas e Energia para discutir apagões
Zimmermmann precisou desmarcar compromissos para encontro
Brasil|Carolina Martins, do R7, em Brasília
A presidente Dilma Rousseff convocou uma reunião nesta terça-feira (30) com o ministro interino de Minas e Energia, Márcio Zimmermann. O principal assunto do encontro foi as providências que estão sendo tomadas para detectar o problema que gerou apagões em diversas regiões do País nas últimas semanas.
De acordo com informações da assessoria do ministério, a solicitação da presidente chegou na manhã de hoje, e o ministro precisou remanejar os compromissos previamente agendados para atender ao pedido de Dilma.
A reunião, marcada para às 15h, começou com atraso e durou aproximadamente duas horas. No entanto, o ministro deixou o Palácio do Planalto sem falar com a imprensa.
Na última sexta-feira (26), Zimmermann convocou uma entrevista coletiva para dar explicações sobre o blecaute que atingiu o Nordeste. Na ocasião, ele revelou que a presidente Dilma acompanha de perto todos os problemas, até porque ela já foi ministra de Minas e Energia e conhece bem o sistema elétrico em operação no País.
Falhas
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, o problema está no chamado sistema primário de proteção, responsável por isolar eventuais falhas e evitar os apagões. No entanto, esse dispositivo não está funcionando como deveria.
Um pente-fino está sendo realizado nas empresas de transmissão, desde o primeiro apagão, no fim de setembro, para verificar a situação do sistema em cada uma das distribuidoras. Além disso, uma equipe de técnicos foi até à subestação de Colinas, em Tocantins, origem do problema que gerou o apagão no Nordeste.
Somente depois do relatório com as análises, o ministério deve se pronunciar sobre as razões do blecaute. No entanto, não há data para o documento ficar pronto.
Esta semana, a ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) deve divulgar um relatório preliminar com as primeiras informações do apagão da última semana.
Apagões
O blecaute começou por volta das 23h15 da última quinta-feira (25) em Estados do Norte e Nordeste, além de parte do Centro-Oeste, atingindo Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. O apagão também afetou parte do Tocantins, do Pará e do Distrito Federal.
De acordo com a presidência da Taesa, responsável pela linha de transmissão onde ocorreu a falha, chovia no momento do apagão. O presidente da empresa, José Ragone, acredita que a principal hipótese é de que um raio tenha sobrecarregado a rede e causado um curto-circuito.
Segundo Ragone, se o sistema de proteção estivesse funcionando, o blecaute seria evitado.
— A proteção, atuando incorretamente, fez com que o problema se espalhasse. Nós vamos apurar agora a causa do problema. A não atuação adequada da proteção deve ser investigada.
Em pouco mais de um mês, esse foi o quarto apagão de grandes proporções. Na última sexta-feira (19), 60% do Distrito Federal ficou sem luz por 40 minutos durante a tarde. No início do mês, a capital do País também foi atingida por um blecaute que deixou o centro do poder político — Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal — sem luz.
No dia 22 de setembro, um problema deixou nove Estados da região Nordeste sem energia elétrica por quase quatro horas. De acordo com o governo, todos os problemas foram motivados por falhas no sistema de proteção.















