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Dilma diz não acreditar que governo Obama tenha responsabilidade por espionagem

Em entrevista a rede internacional, presidente falou ainda sobre tortura, corrupção e Copa

Brasil|Do R7, com Reuters e Estadão Conteúdo

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Dilma Rousseff - 460 x 305
Dilma Rousseff - 460 x 305 Antonio Cruz/06.03.2013/ABr

A presidente Dilma Rousseff disse, em entrevista à CNN exibida nesta quinta-feira (10), não acreditar que o governo do presidente dos Estados Unidos Barack Obama tenha "responsabilidade" pela espionagem praticada contra o governo, empresas e cidadãos brasileiros, além de afirmar que a administração norte-americana avançou em alguns pontos relacionados ao tema.

O vazamento de informações de que a agência de inteligência norte-americana estava monitorando dados inclusive da própria presidente causou um mal-estar diplomático que culminou, inclusive, com o cancelamento de uma viagem oficial que Dilma faria ao país.


As denúncias de espionagem também a motivaram a condenar o ato de forma enfática e propor uma governança global sobre segurança na Internet em seu discurso de abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

— Olha, eu não acredito que a responsabilidade... pelos hábitos de espionagem seja da administração do presidente Obama. Eu acho que ela é um processo que vem ocorrendo depois do 11 de Setembro — disse Dilma na entrevista — Hoje eu acredito que eles deram vários passos — afirmou, após confirmar que cancelou a visita aos EUA que faria em setembro do ano passado por ausência de uma resposta satisfatória à época.


No início deste ano, Obama declarou que não haverá espionagem de chefes de Estado e de governos “amigos”.

As denúncias de que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) espionou e-mails, mensagens de texto e telefonemas entre a presidente e assessores, além de dados de empresas, como supostamente a Petrobras, e cidadãos brasileiros foram feitas com base em documentos vazados pelo ex-prestador de serviços da NSA Edward Snowden.


Notícias publicadas pela mídia brasileira no ano passado com base nesses documentos revelaram que a agência norte-americana usou programas secretos de vigilância da Internet para monitorar as comunicações no Brasil.

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Outros chefes de Estado também foram vítimas de espionagem, segundo esses documentos, caso da chanceler alemã, Angela Merkel, e do presidente mexicano, Enrique Peña Nieto.

Em visita ao Brasil no mês passado, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse estar confiante na melhora das relações entre os dois países.

Tortura

Sobre o fato de ter sido torturada no período da ditadura militar, Dilma disse que é difícil viver sob um regime desses, que "limita os sonhos". A presidente exemplificou que, na época, até mesmo greves e protestos eram vistos como ofensa ao regime. 

— Quando jovem, lutei contra a ditadura e me orgulho disso.

Sobre as torturas que sofreu, Dilma revelou que a única forma de tolerar os abusos físicos e psicológicos é enganando a si mesmo. 

— Não é fácil tolerar a tortura. Só dizendo para você mesmo que você pode aguentar um pouco mais e um pouco mais.

Questionada sobre que tipo de tortura sofreu, Dilma disse que foi torturada como os outros brasileiros da época também eram e que o choque elétrico é a pior forma de tortura. 

— Qualquer um que tenha praticado tortura perdeu sua humanidade — avaliou, destacando que os regimes que empregam esse tipo de opressão não se sustentam — Nunca vi tortura que não destruiu o sistema que a empregava.

Corrupção

A presidente afirmou que a corrupção é uma questão central a ser combatida no Brasil. Dilma disse que sua gestão a frente do País defende "tolerância zero" com atos de corrupção.

Dilma citou o Portal Transparência Brasil, que publica todos os gastos do governo federal em menos de 24 horas após os gastos terem sido realizados. Ela destacou também o papel da Polícia Federal na investigação de crimes na administração pública. Segundo a presidente, 90% dos casos que são hoje levados ao conhecimento público partiram de investigações da PF.

A presidente afirmou ainda que atualmente, no Brasil, corruptos e corruptores respondem pelos crimes, o que é uma postura essencial, já que um não existe sem o outro.

Copa

Na entrevista à CNN, Dilma Rousseff afirmou não ter um conhecimento profundo de futebol, mas disse acreditar que a ausência dos jogadores Neymar e Thiago Silva teve efeito para a derrota por 7 a 1 contra a Alemanha na terça-feira (8). Ela reforçou, contudo, que apesar da derrota, o País vai saber superar.

Questionada sobre o que diria à chanceler alemã Angela Merkel, Dilma disse que lhe daria os parabéns pela vitória, pois a seleção alemã jogou muito bem. A presidente ressaltou que o futebol é um esporte coletivo, de cooperação, e que nos educa a ter "fair play". 

— Não é uma guerra, é um jogo.

A presidente reforçou também que o mundo inteiro deve reconhecer que o Brasil soube organizar e receber a Copa do Mundo, o que também é um mérito da hospitalidade dos brasileiros. Sobre as críticas contra os gastos com o Mundial, Dilma comparou o gasto de cerca de R$ 8 bilhões, aproximadamente US$ 4 bilhões, para construir as arenas com o orçamento do período para saúde e educação. 

— No mesmo período foram investidos R$ 1,7 trilhão (US$ 850 bilhões) em saúde e educação — defendeu.

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