Dilma diz que é ‘ingênuo’ e ‘absurdo’ falarem que ela sabia de corrupção na Petrobras
Presidente também falou à rede de TV alemã Deutsche Welle sobre América Latina e Fifa
Brasil|Do R7

A presidente Dilma Rousseff voltou a falar do escândalo de corrupção na Petrobras, em uma reportagem publicada no site da rede de TV alemã Deutsche Welle, nesta terça-feira (9). Na entrevista, ela admitiu que é um ônus “acharem que nós [alto escalão do governo] é que fazemos a corrupção”.
— Mas esse ônus é insignificante perto do fato de que eu posso lhe garantir que o Brasil, nesta área, mudou. Nunca antes no Brasil quem corrompia era preso, nem tampouco quem era corrompido. Agora é.
Dilma ainda voltou a falar que para que o escândalo da Petrobras fosse descoberto, órgãos de diversas esferas tiveram que atuar conjuntamente: Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal, Ministério Público.
— Dizer que a gente sabia da corrupção, por exemplo, na Petrobras, é um absurdo. [...] Esse poder de saber o que estava acontecendo implica uma visão extremamente ingênua sobre a corrupção. A corrupção é feita escondida. Ela é escamoteada, ela é coberta. Descobri-la envolve muito mais do que uma pessoa saber.
A presidente ainda falou sobre o encontro que vai participar a partir de amanhã, em Bruxelas. Na cúpula entre União Europeia e a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, ela prometeu trabalhar para um acordo de livre-comércio entre o países do Mercosul e mercados europeus.
— Do ponto de vista do Mercosul, principalmente do ponto de vista do Brasil, é prioritário, neste ano de 2015, que a gente chegue a esse acordo. Resta saber se nós [os países do Mercosul] vamos poder fazer isso simultaneamente. Os países têm diferenças.
Sobre não adotar um posicionamento mais firme em relação ao governo venezuelano — frequentemente acusado de perseguir opositores —, Dilma disse que o Brasil não quer ser “um poder regional com o porrete na mão”. Ela defendeu que seja respeitado o Estado democrático de Direito daquele país.
Questionada se não se sentia incomodada de a Fifa ter faturado tanto no Brasil durante a Copa do Mundo e agora surgir um escândalo de corrupção, Dilma falou em “relações conflituosas” com a entidade.
— Não tenho nenhuma queixa do senhor [presidente da Fifa, Joseph] Blatter, que sempre teve um comportamento bem respeitoso em relação ao Brasil. O mesmo não digo de outras pessoas. Eu fico inconformada com o fato de que [o escândalo atinja] uma coisa tão importante para o mundo, como é o futebol. Eu acredito que, aqui no Brasil, nós fornecemos, talvez, o maior lucro para a Fifa nos últimos anos, porque o Brasil é um país do futebol, é um país que adora o futebol.















