Dilma recebe Putin em Brasília nesta segunda antes da 4ª Cúpula dos Brics
Principal interesse do Brasil é ampliar a relação comercial com a Rússia
Brasil|Do R7

A presidente Dilma Rousseff receberá nesta segunda-feira (14) em Brasília o presidente russo, Vladimir Putin, com quem repassará a agenda bilateral antes da 4ª Cúpula do grupo Brics, que ambos os países integram junto com a China, Índia e África do Sul.
Putin desembarcou no Rio de Janeiro neste domingo e para assistir à final da Copa do Mundo. Para o presidente russo, a final tem um interesse particular, já que a Rússia organizará a próxima Copa, em 2018.
Putin chegou ao Brasil com o mar de fundo que representa o conflito da Crimeia, frente o qual o governo de Dilma se manteve "neutro", e pediu para que fosse conseguida uma "solução negociada".
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A posição do Brasil é incômoda, pois apesar de manter relações privilegiadas com a Rússia, inclusive através dos Brics, também são muito estreitos os seus vínculos com a Ucrânia, país com o qual está associado em um ambicioso programa espacial.
Fontes oficiais brasileiras disseram que Dilma prefere evitar referências ao conflito da Crimeia, embora calculem que Putin possa abordar o tema na reunião e esclareceram que, se for o caso, a governante reiterará seu conselho sobre uma saída negociada.
Comércio
O principal interesse do Brasil com essa visita de Putin é a relação comercial com a Rússia, que, segundo ambos os países concordam, não desenvolveu ainda todo seu potencial.
Segundo dados oficiais brasileiros, o comércio bilateral alcançou no ano passado a soma de US$5,5 bilhões, embora a meta de ambos os países seja que chegue aos US$10 bilhões anuais no curto prazo.
O Brasil também quer dotar a suas exportações rumo à Rússia de um maior valor agregado e ter uma posição mais forte no mercado russo, no qual seus produtos representam apenas 2% das importações e se limitam a matérias-primas e alimentos.
Defesa
A Rússia, por sua vez, aponta ao fortalecimento suas posições no Brasil na área de defesa e concretização de alguns negócios já adiantados no marco de um programa de modernização que o governo de Dilma desenhou para as Forças Armadas.
Nesse sentido, a Rússia está à espera de confirmar e assinar um contrato para a venda de seus sistemas de defesa antiaérea Pantsir-S1, negociado há menos três anos e que até agora não se concretizou.
O Brasil, no entanto, sustenta que a decisão "está tomada" e que só falta ajustar alguns detalhes técnicos do negócio, que passa pela compra de três baterias de mísseis antiaéreos Pantsir-S1 e outras duas do modelo Igla, em uma operação cujo valor é calculado em torno dos US$1 bilhão.
Além disso, Moscou aguarda por um acordo nas negociações para a venda de 12 novos helicópteros Mim-35, modelo do qual Brasil já adquiriu outros 12 em 2008, dos quais recebeu nove.
Após a reunião em Brasília, Dilma e Putin viajarão para Fortaleza, onde na terça-feira (15) se unirão aos líderes da China, Índia e África do Sul para a 4ª Cúpula dos Brics.
Junto com os líderes das grandes economias emergentes, eles voltarão após esse encontro a Brasília, onde na próxima quarta-feira participarão da primeira cúpula entre os Brics e os países da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).















