Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais

Dilma vai pagar preço alto por adiamento de votação, dizem analistas

Presidente vai ter que apaziguar os ânimos de sua base

Brasil|Do R7

  • Google News

A presidente Dilma Rousseff deverá pagar um alto preço com a postergação da votação do Orçamento Geral da União de 2013. A avaliação é de analistas políticos consultados pela reportagem, com base em episódio semelhante ocorrido na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 2005, desgastado pela eclosão do escândalo do mensalão, Lula não conseguiu aprovar o orçamento de 2006 no parlamento, a despeito de sua habilidade política. A peça orçamentária só foi aprovada em abril do ano seguinte, depois de o ex-presidente ter cedido às pressões da oposição, capitaneada pelo PSDB e PFL.


No imbróglio deste ano, a presidente Dilma Rousseff não enfrenta uma oposição coesa e combativa. Em compensação, tem um desafio maior pela frente, que é apaziguar os ânimos e conflitos de sua própria base aliada no Congresso, argumenta o doutor em ciência política e professor do Insper Humberto Dantas.

— Mais do que prejuízos econômicos, em razão da não liberação de recursos para novos investimentos, num momento de crise econômica, a pergunta que se deve fazer é qual o preço que o governo vai ter de pagar para aprovar o seu orçamento.


Como fica a disputa sobre royalties após impasse no CongressoLeia mais notícias de Brasil

Sarney lamenta não ter conseguido votar Orçamento


A mesma avaliação é feita pelo cientista político, professor e vice-coordenador do curso de administração pública da FGV Marco Antonio Carvalho Teixeira. Segundo ele, boa parte da crise enfrentada pela presidente no parlamento é dentro de sua própria base aliada, pressionada por governadores e prefeitos insatisfeitos com a perda de receitas do fundo de participação, por conta das desonerações anunciadas pela equipe econômica, e em razão também do impasse provocado pelo debate em torno da votação dos vetos da presidente Dilma a artigos da lei dos royalties do petróleo, tema que tem colocado em lados opostos governadores da base aliada, como o do Rio de Janeiro, Sergio Cabral (PMDB), e o de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).

Para Humberto Dantas, os problemas que Dilma enfrenta com sua base "nada aliada" no parlamento são acirrados também pela própria postura da presidente: "centralizadora, gerentona e que parece querer controlar tudo". Apesar da constatação, o doutor em ciência política destaca que ela está certa em tentar buscar uma marca própria, um estilo "diferente da permissividade ocorrida na gestão Lula".


— Dilma tem um jeito mais técnico de fazer política e isso incomoda, pois esbarra no velho jeito de fazer política, na base do toma lá, dá cá, que ainda impera no parlamento.

Segundo Carvalho Teixeira, nem se a presidente Dilma Rousseff tivesse um interlocutor político mais forte em seu governo, teria mais sucesso nas tratativas com o Congresso.

— Este é o caso onde o inimigo mora realmente ao lado (base aliada) e, em razão disso, Dilma terá uma queda de braço muito forte para aprovar o Orçamento. Com certeza, ela terá que abrir os cofres.

Os dois analistas apostam, contudo, que o Orçamento vai ser aprovado, só não sabem a que preço, pois é um tema que vai esbarrar nos interesses nada coesos que dominam a base aliada no Congresso.

Dantas e Carvalho Teixeira evocam o exemplo do presidente Lula, considerado um dos mais hábeis negociadores políticos do País, para reforçar o alto custo que o governo da presidente Dilma terá com a postergação do orçamento. Para aprovar a peça orçamentária de 2006, quatro meses depois do prazo em que deveria ter sido votada (em dezembro de 2005), o governo do ex-presidente teve de abrir os cofres e fazer muitas concessões. O que os cientistas políticos questionam é até onde irá a determinação de Dilma para tentar fazer valer seu jeito mais técnico e menos assistencialista de fazer política para aprovar o orçamento 2013 da União.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.