Dodge cobra R$ 63 de mi de Odebrecht referentes a delação
Manifestação foi enviada nesta quinta (1º) ao STF. De acordo com a PGR, empresário só depositou R$ 2,1 milhões. Defesa vai recorrer
Brasil|Thais Skodowski, do R7

Raquel Dodge, procuradora-geral da República, está cobrando do empresário Marcelo Odebrecht R$ 63,1 milhões, referente ao seu acordo de delação premiada. O pedido foi enviado nesta quinta-feira (1º) ao STF (Supremo Tribunal Federal), onde vai ser submetido ao ministro Edson Fachin.
De acordo com a PGR (Procuradoria-Geral da República), o ex-presidente da Odebrecht depositou R$ 2,1 milhões, mas o MPF (Ministério Público Federal) entende que o total a ser pago é de R$ 65,2 milhões.
O documento também pede que o empresário preste esclarecimento solicitados pela perícia do MPF.
Teor sigiloso
A PGR não informou como foram feitos os cálculos que definiram o valor da multa, porque a delação premiada é sigilosa. Porém, disse que “foram consideradas informações prestadas pelo próprio colaborador, segundo as quais, entre 2006 e 2015, foram depositados R$ 70,5 milhões em uma conta bancária na Suíça em nome de uma empresa vinculada a ele e à esposa”
Raquel Dodge também rebateu justificativas e cálculos apresentados pela defesa de Odebrecht. Segundo os advogados do empresário, o valor da multa deveria ser calculado apenas em cima do 50% da empresa que pertence a ele. Mas para Raquel Dodge, o valor deve incidir sobre o montante conseguido como valorização de imóveis parcialmente adquiridos com valores ilícitos.
Entenda o caso
Marcelo Odebrecht está em prisão domiciliar desde dezembro do ano passado, após assinar um acordo de colaboração premiada com a Justiça.
O empresário foi preso em 19 de junho de 2015, no âmbito da Operação Lava Jato.
Outro lado
Em nota, a defesa de Marcelo Odebrecht informou que sempre esteve à disposição da PGR para discussão dos temas relativos à colaboração de seu cliente e não tem conhecimento do teor da manifestação do Ministério Público na Petição 6.500 em trâmite no Supremo Tribunal Federal.
Ainda de acordo com os advogados, a notícia indica uma conclusão que, aparentemente, veicula uma interpretação divergente de cláusulas do acordo e de sua homologação - matéria que será oportuna e tecnicamente decidida pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito do contraditório.
A defesa concluiu que causa espanto que um assunto submetido a sigilo por ordem do Supremo Tribunal Federal seja divulgado no site oficial da PGR antes de dar à parte a oportunidade de se manifestar oficialmente.














