Em reunião informal, Dilma chama governadores e parlamentares para aproximar Congresso e Planalto
Sem discurso, presidente quebra protocolo para recompor a base aliada na Câmara e Senado
Brasil|Carolina Martins, do R7, em Brasília

A presidente Dilma Rousseff recebeu ministros, governadores e parlamentares do PT, nesta quinta-feira (6), no Palácio da Alvorada em Brasília para um coquetel de confraternização. Cerca de 40 políticos, entre líderes de bancada no Congresso, senadores que tomam posse em 2015 e dirigentes do PT, se reuniram em uma conversa informal com a presidente.
O encontro foi uma sinalização de que a presidente pretende atender aos apelos dos parlamentares e facilitar o diálogo entre o Congresso e o Planalto. A conversa informal surpreendeu os deputados e dirigentes petistas.
O deputado José Guimarães (PT-CE), que é membro da executiva nacional do partido, participou do coquetel e gostou da quebra de protocolo. Segundo ele, não houve nenhum discurso nem pronunciamento, o que aproximou a presidente dos colegas petistas.
— Precisamos cuidar bem dessa relação do Congresso com a presidenta, vamos trabalhar para aperfeiçoar o diálogo do governo com o parlamento. Achei [a conversa informal] melhor que o pronunciamento, que fica na formalidade e você não conversa bem no paralelo, na conversa de pé de ouvido. A presidenta foi muito atenciosa com nós todos.
Apesar de afirmar que o tom do encontro não foi político, Guimarães deixou claro que o PT tem o entendimento de que é preciso recompor a base aliada, principalmente na Câmara dos Deputados, onde o PMDB adota posturas de oposição ao Planalto.
Tentativa de aproximação
O vice-presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), também aprovou a iniciativa da presidente. Segundo ele, muitos parlamentares se queixam por não terem contato mais direto com Dilma, o que enfraquece a relação até com a base do partido nos Estados.
— É comum que parlamentares gostem de estar juntos na presença da Dilma. O contato social cria um bom ânimo. Há parlamentares que não se ressentem, mas tem gente que gosta e acha que é importante, até porque lá na sua base ele vai ser perguntado sobre o que a presidente pensa. Se ele não tem contato, ou ele inventa, ou vai ter que dizer que não teve esse contato.
Chinaglia também avaliou o encontro como uma confraternização pós-eleições, quase como uma celebração da reeleição da presidente com os parlamentares e governadores do PT.
Vinho, espumante e democratização da mídia
De acordo com o presidente nacional do PT, Rui Falcão, o coquetel foi regado a vinho tinto, espumante e alguns salgadinhos. Falcão garante que não houve nenhuma agenda política durante as conversas e que Dilma conversou informalmente com os convidados, inclusive tirando selfies.
Na saída do coquetel, o presidente do PT aproveitou para comentar a demissão coletiva na Folha de S. Paulo e defender a democratização da mídia.
— Estou impactado agora porque me disseram que houve uma série de demissões na Folha e eu fico preocupado porque pode representar um encurtamento no mercado de trabalho de vocês [jornalistas]. Essa é mais uma razão para a gente colocar na pauta a questão da democratização dos meios de comunicação.
A reunião durou cerca de 1h30. A expectativa inicial era de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participasse do encontro, mas a reunião com o principal nome do PT ocorreu durante a manhã, em São Paulo, apenas com a bancada petista do Senado. Nesse encontro, o tom foi político e o objetivo era traçar estratégia para enfrentar a oposição marcada que será comandada por Aécio Neves (PSDB-MG) no Congresso.















