Empreiteiras da Lava Jato são investigadas no Peru
Parlamentares peruanos apuram denúncias de subornos de empresas brasileiras no País
Brasil|Lumi Zúnica, especial para o R7
Em entrevista exclusiva ao R7, o congressista Juan Pari, que preside a comissão instalada no Congresso peruano desde dezembro de 2015 para investigar denúncias de subornos pagos por empresas brasileiras a autoridades peruanas no âmbito da Operação Lava Jato, declarou que só teve acesso ao contrato assinado entre a UTC e o ex-ministro José Dirceu a partir da reportagem do portal publicada na terça feira (1º).
— Vi o caso como uma referência jornalística superficial, mas não tinha acesso ao contrato nem às notas fiscais do acordo comercial firmado por Dirceu para prospectar oportunidades de negócios com o governo peruano.
Segundo ele, após as revelações da suspeita de o presidente Ollanta Humala ter recebido US$ 3 milhões da construtora Odebretch a título de suborno, este novo informe “preocupa porque estamos falando do primeiro mandatário do país, estamos falando de implicâncias sumamente graves”.
Questionado sobre a declaração de Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, de que José Dirceu afirmou que, com Humala eleito, o acesso a políticos peruanos ficava facilitado, Pari respondeu que isso confirma algumas hipóteses que já vinham sendo levantadas. Inclusive a relação entre Nadine Heredia, primeira-dama da nação, e Zaida Sisson, representante de Dirceu no Peru, revelando possíveis atos de corrupção e de aproveitamento de contatos políticos para obtenção de ganhos ilegais.
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Quanto ao valor das propinas, o congressista não adiantou conclusões, mas afirma que já existem indícios sobre os valores pagos e sobre mecanismos utilizados para a obtenção destas vantagens não só no governo Humala, mas também nos anteriores de Alan Garcia e Alejandro Toledo. Como exemplo, Pari citou o modo suspeito como foi manipulado o sistema de controle de licitações públicas no Peru.
— Nossa investigação vai além deste governo. Investiga a participação das empresas brasileiras nos governos anteriores de Toledo, Garcia e o atual [de Humala].
Pari informou que a comissão tem amplos poderes. Por isso muitas empresas poderão ser incluídas nas investigações. O político citou como as principais empresas suspeitas a Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, OAS e UTC, das quais já existem fortes indícios de pagamento de propina.
Ainda não se falam em prisões, mas já foram efetuados levantamentos de contas bancárias de funcionários e autoridades suspeitos de favorecer as construtoras mediante facilitação nos processos de licitação e, inclusive, mediante a elaboração de normas e leis específicas.
— Houve uma norma aprovada no tempo recorde de 24 horas para favorecer certa empresa brasileira.
Quanto à atuação da comissão em paralelo ao Poder Judiciário, Juan Pari informou que o Congresso tem sua própria dinâmica, que é a da investigação pelo lado do controle político e da função pública.
— O congresso não realiza acusações. O congresso determina achados que possam ser levados para a esfera judicial.
Juan Pari desmentiu ter afirmado que a comissão do Congresso investiga empresas, e não governos.
— Fui mal interpretado. Os projetos [investigados] vão além de uma gestão de governo. É o caso, por exemplo, da Rodovia Transoceânica, que liga o Brasil, desde o oceano Atlântico, a três pontos do oceano Pacífico no Peru. De um orçamento inicial de US$ 850 milhões, custou mais de US$ 2 bilhões.
“[A transoceânica] passou pelos governos de Toledo, Garcia e Humala. A investigação não é relativa a um governo específico, e sim ao processo de execução dos projetos e a participação de empresas e funcionários públicos de diferentes níveis", disse o político.
Também citou os projetos de irrigação de Olmos e Piura, nos que, apesar da sua importância, só teve a participação de duas empresas e ainda adquiriram mais de 12 mil hectares no local do projeto, ou seja, se tornaram executores e favorecidos do investimento público.
O diretor superintendente da Odebrecht no Peru e encarregado do Projeto Olmos de Irrigação, Jorge Barata, já prestou depoimento perante a comissão. Nesta semana, foram convocados os executivos Marcos de Moura Wanderley e José Alexandre Alves Pereira Neto, ambos executivos da Camargo Correa que participaram de diversos contratos com o governo peruano.
Também foi convocado Luis Favre, ex-marido da senadora Martha Suplicy (PMDB-SP).














