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Especialista condena cantadas, mas pondera: “Pode ter alguma mulher que se sinta lisonjeada”

Professora da USP afirma que “no campo da atração sexual é muito difícil legislar”

Brasil|Giorgia Cavicchioli, do R7

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Mulher sofre "pressão muito grande por essa beleza, por essa juventude", afirma militante de movimento feminista
Mulher sofre "pressão muito grande por essa beleza, por essa juventude", afirma militante de movimento feminista

Atenção, mulheres! Você já foi vítima de uma cantada grosseira na rua ou ao menos de um 'fiu-fiu'? No Dia Internacional da Mulher, o R7 conversou com representantes femininas de diversas áreas para contar o que elas pensam sobre os avanços nas conquistas das mulheres, cantadas, aborto e outras questões fundamentais na discussão do feminismo.

A doutora em letras e professora de estudos culturais da USP (Universidade de São Paulo) Maria Elisa Cevasco conta que o feminismo já conseguiu avançar em muitos aspectos, mas que as mulheres “ainda têm que lutar contra as mesmas forças que começaram a lutar lá nos anos 60”.


Maria Elisa pondera que a igualdade precisa ser meta não só entre os sexos, mas também entre as mulheres de classes diferentes. Para a professora, “não existe uma feminilidade que une as mulheres de todos os tipos”.

— Que igualdade é essa entre tantas mulheres diferentes? E eu acho que a gente deveria lutar também pela libertação do homem. Porque é muito chata essa coisa de o homem ficar no papel de dominador. Para eles também deve ser muito chato. Tem muito homem a quem é negado o exercício da paternidade.


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Segundo a professora, existe um “esquema de dominação” na sociedade e esse esquema “prejudica tanto as mulheres quanto os homens”.

Bruna Provazi, militante da Marcha Mundial das Mulheres, concorda que as mulheres tiveram “várias conquistas” ao longo dos anos — como o direito ao voto e à educação. Ela também reconhece que a mulher agora está bem mais presente no mercado de trabalho. Porém, ela diz que é preciso reafirmar esse espaço em outras áreas.


— Ainda tem um controle muito grande do nosso corpo, da nossa sexualidade, um padrão de beleza que a gente deve seguir. É uma pressão muito grande por essa beleza, por essa juventude.

Em relação às “cantadas” que as mulheres recebem nas ruas, Bruna diz que esse assédio acontece “por uma visão de que a mulher não deve ocupar o espaço público”.

— É como se a rua fosse deles [homens] e a gente estar lá é um incômodo.

Já a professora da USP diz que, “no campo da atração sexual, é muito difícil legislar”. Segundo ela, muitas mulheres se sentem ofendidas com as “cantadas” nas ruas, mas que isso pode ser considerado um flerte por outra parte delas.

— A gente não sabe como funciona para todo mundo o “fiu-fiu”, por exemplo. De repente, pode ter alguma mulher que se sinta lisonjeada. [Mas] é obvio que todo mundo é contra a cantada persistente, a cantada com falta de educação.

Para Bruna, a questão da divisão dos trabalhos domésticos também precisa ser discutida. Ela afirma que “ainda não existe um compartilhamento com os homens”.

— Se o cara lavou um prato depois de um almoço de domingo, [isso] ainda é visto como ajuda.

Aborto

A militante da Marcha Mundial das Mulheres também alerta para a descriminalização do aborto no Brasil. Para ela, essa é “uma forma de controlar a nossa sexualidade” e que a conscientização das pessoas para esse problema pode ajudar na tentativa de “transformar um pouco o conjunto da sociedade”.

— Mas as políticas públicas são muito importantes. No caso do aborto, eu posso ir a uma clínica clandestina, pagar um determinado valor e conseguir, individualmente, resolver o meu problema. Mas as mulheres negras, as mulheres pobres, vão continuar morrendo por fazer aborto clandestino. Se não tem essas políticas públicas para, de fato, garantir a nossa autonomia, fica bastante complicado.

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no próximo dia 8, o R7 publicará uma série de reportagens dedicada a elas. Acesse o portal neste sábado (7) e descubra quem são as mulheres que, como Dilma Rousseff, governam seus países.

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