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Esquema atuou por mais 3 empresas, diz relatório da PF

E-mails foram interceptados pela Polícia Federal

Brasil|Do R7

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Acusado de chefiar quadrilha que vendia pareceres técnicos e fazia tráfico de influência, o diretor afastado da ANA (Agência Nacional de Águas) Paulo Vieira atuou para beneficiar mais três empresas com processos administrativos e judiciais no Porto de Santos e no Ministério dos Transportes, aponta relatório da operação Porto Seguro.

Trocas de e-mails interceptadas pela Polícia Federal mostram Vieira orientando o advogado Marco Antônio Martorelli, preso na operação, a como agir para favorecer a Hipercon Terminais de Carga Ltda, a Cargill Agrícola e o Estaleiro Mauá.


O ex-diretor não se limitou a dar conselhos. Mensagens coletadas pela PF desde fevereiro de 2010 mostram que Vieira redigiu petições que foram apenas assinadas por Martorelli.

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Em 12 de junho passado, o suposto chefe do esquema chegou a enviar e-mail para o então adjunto da AGU (Advocacia-Geral da União), José Weber Holanda, com o número de uma ação na vara federal do Distrito Federal e o nome do representante da AGU em um processo de interesse do grupo.

Tratava-se da solicitação de preferência de compra da Hipercon de um imóvel em Santos da extinta Rede Ferroviária Federal para a Superintendência do Patrimônio da União em São Paulo.


Vieira procurou Weber depois de saber que o advogado da União Luiz Palumbo Neto sugeriu o indeferimento da causa.

— Importante ressaltar que Paulo Vieira, como funcionário público com atuação nas áreas portuárias [conselheiro fiscal da Codesp] e de Hidrologia [ANA], deveria defender com exclusividade os interesses da União, diferentemente do que apontam os elementos colhidos até o presente momento.


Martorelli também é advogado no divórcio de João Batista de Oliveira Vasconcelos, marido de Rosemary Noronha — ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo.

No período em que desempenhava as funções de ouvidor-geral da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), Vieira orientou Martorelli a como proceder num processo de interesse da Cargill.

Em e-mail enviado em 18 de junho de 2009 com o título "Questão da Cargill", ele sugere uma ação civil pública contra a Codesp e envia textos de legislações que podem embasar o processo.

A Cargill tentava prorrogar contrato de exploração de um terminal no porto. O processo judicial tramita na 22ª Vara de Justiça do Distrito Federal.

A PF interceptou um e-mail, de agosto de 2010, de Vieira para Martorelli para tratar de processo administrativo do Estaleiro Mauá no Ministério dos Transportes. O ex-diretor da ANA é explícito: "Peço-lhe analisar a minuta da petição, fazer as formatações, e se de acordo, assinar e enviar para Brasília por sedex para que eu possa protocolar no MT".

Segundo a PF, Vieira usa mais uma vez "estrutura e informações relativas ao seu cargo com o objetivo de defender interesses particulares".

— Ressalto que mais uma vez temos uma petição sem assinatura, enviada por Paulo Vieira, onde (sic) Martorelli deve assinar e após encaminhar para Brasília, onde Paulo que irá protocolar.

Em nota, a Cargill informou que não sabia que era citada em relatório da PF na operação Porto Seguro.

A empresa confirmou que Martorelli a representou em duas ações.

A última, em janeiro de 2009, tinha como objetivo impedir a inviabilização da operação de um terminal de açúcar, no qual a Cargill detém 50%.

Segundo a empresa, Martorelli não atua na ação em que a empresa processa a Codesp e a Antaq para ampliar o prazo de exploração do terminal de grãos — objeto dos e-mails interceptados. O Estaleiro Mauá e a Hipercon não responderam aos questionamento enviados pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Advogado de Martorelli, José Luiz Macedo disse que seu cliente não cometeu irregularidades.

— Ele é advogado no caso da Hipercon e está perdendo tudo na Justiça. Como é que tem favorecimento?

Segundo ele, Vieira e Martorelli só "trocavam figurinhas" sobre alguns processos.

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