Estúdio News de sábado debate Meio Ambiente e Sustentabilidade
Especialistas dizem que brasileiro está acostumado a desprezar recursos hídricos próximos, o que nos faz buscar água mais longe
Brasil|Do R7

A crise hídrica atual afeta não só a economia do país como vários outros setores e, segundo especialistas, o descontrole do desmatamento é uma das principais causas dessa crise. O diagnóstico é da bióloga, pesquisadora e professora titular da UnB Mercedes Bustamante, atualmente uma das principais referências no bioma Cerrado, e do vice-presidente do Instituto Democracia e Sustentabilidade, o biólogo João Paulo Capobianco.
O Brasil sofre as consequências desse desmatamento exatamente por conta da redução do volume de chuvas que acabam afetando importantes reservatórios.
“Uma crise dessa magnitude, como nós estamos vivendo, é fruto da convergência de vários fatores que se acumularam ao longo do tempo. Ela é efeito de fatores locais, regionais e globais associados também à questão da gestão do uso da terra e da gestão dos recursos hídricos no Brasil. Eu destacaria o desmatamento em larga escala de bacias hidrográficas importantes no Brasil. Toda vez que modificamos a cobertura vegetal, mexemos com o ciclo hidrológico em associação com a mudança climática global”, afirma Mercedes Bustamante.
João Paulo Capobianco complementa: “O grau de ocupação e degradação tanto do ponto de vista da retirada da cobertura florestal agrava a situação, como a Mercedes destacou, mas também com a contaminação. Hoje, por exemplo, os custos do tratamento da água que nós retiramos da Guarapiranga e da Billings são altíssimos porque nós não cuidamos dos mananciais, permitindo que eles sejam contaminados, além de degradados em toda cobertura florestal”.
O biólogo ressalta ainda a importância das ações de conscientização da sociedade para mudança de hábitos em relação ao consumo de água.
“Estamos com uma situação dramática porque os nossos reservatórios de mananciais da grande São Paulo estão 20,8% abaixo de 2013, mesma época que sucedeu uma grande crise hídrica [em 2014/2015] e não há nenhuma ação no sentido de solicitar e mobilizar a sociedade para reduzir o consumo”, enfatiza Capobianco.
O Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) foi destacado por ambos.
“É interessante a gente olhar essa curva de relação entre índices de desmatamento e crescimento econômico. O Brasil começou a ter uma política consistente de redução do desmatamento com a criação do programa de combate ao desmatamento da Amazônia, o PPCDAm, de 2004 para 2005, e nós passamos um período de grande desenvolvimento econômico a partir de 2006, 2007, 2008, em que o desmatamento estava diminuindo apesar da economia estar crescendo. Isso mostrou uma quebra de paradigma de que você poderia continuar crescendo sem necessariamente ter um aumento de desmatamento, ou seja, realmente com a implementação do pacote de políticas públicas”, diz Mercedes.
“A Mercedes já falou, mas eu quero destacar: a economia cresceu, nós aumentamos o número de cabeças de gado bovino e aumentamos muito o plantio de soja e não houve aumento do desmatamento. Ou seja, o que nós temos aí, não só na Amazônia, mas principalmente na Amazônia, é o chamado desmatamento especulativo, que é uma ação que visa ocupar terras públicas no sentido de, posteriormente, oferecer essas terras, que são apropriadas ilegalmente num processo conhecido como grilagem de terra pública, no mercado imobiliário”, reforça Capobianco.
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