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Ex-corregedora do CNJ, Eliana Calmon cobra magistratura: “o juiz hoje é o que desagrada o poder”

Na Paraíba, ministra reconhece complexidade da lei e diz pede ação contra os poderosos

Brasil|Do R7

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"É mais confortável estar com os poderosos do que contra os poderosos", diz ministra Eliana Calmon, que cobrou os juízes
"É mais confortável estar com os poderosos do que contra os poderosos", diz ministra Eliana Calmon, que cobrou os juízes

A ex-corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e diretora-geral da Enfam (Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados Ministro Sálvio de Figueiredo), ministra Eliana Calmon, cobrou na última sexta-feira (30), durante palestra em João Pessoa (PB), a atuação mais intensiva da magistratura quanto às ações de improbidade administrativa.

— O juiz hoje é aquele que desagrada o poder, a autoridade. Bem sei que é muito mais confortável estar com os poderosos do que contra os poderosos.


Eliana afirmou que, durante seu período na Corregedoria do CNJ, verificou o baixo índice de julgamento de ações de improbidade. Foi a partir dessa constatação que, com o apoio do presidente do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), ministro Joaquim Barbosa, foi elaborada a Meta 18 do Judiciário: julgar, até o final do ano, todas as ações de improbidade e de crimes contra a administração distribuídas antes de 31 de dezembro de 2011.

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A ministra disse ainda entender os constrangimentos políticos para o julgamento desse tipo de processo, que atinge diretamente o Poder Executivo.

— É uma ação difícil porque foge dos padrões normais. Primeiro porque o tipo da improbidade é um tipo aberto, de difícil contorno. Segundo porque tem a questão da subjetividade: até onde vai a culpa do administrador?


Eliana reconheceu que a lei para o combate da improbidade administrativa é complexa, mas exigiu empenho dos juízes que julgam essas ações.

— Com essa lei tão complicada sob o ponto de vista técnico e com os tribunais numa verdadeira gangorra, com um vai e vem de decisões, os juízes preferiam deixar os processos nas prateleiras. 


A ministra ressaltou que um dos grandes avanços nesse sentido foi a fixação, por parte do STJ (Superior Tribunal de Justiça), de que existe a responsabilidade por culpa dos administradores. 

— Esse é o entendimento que vem prevalecendo. A exigência anterior de dolo comprovado fazia com que a maioria dos administradores escapasse.

A ministra falou para uma plateia de cerca de 30 magistrados paraibanos, além de cinco juízes de outros estados, especialistas em direito público e processo civil, convidados pela Enfam. Juntos, eles trabalharam na análise de casos de grande complexidade no julgamento de processos de improbidade na Paraíba.

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