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Ex-governador Beto Richa é preso pela terceira vez

Richa é réu em duas ações, sendo uma por organização criminosa e corrupção passiva e a segunda por lavagem de dinheiro

Brasil|Giuliana Saringer, do R7, com Estadão Conteúdo

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Richa foi governador do estado do Paraná
Richa foi governador do estado do Paraná

O ex-governador Beto Richa (PSDB) foi preso pela terceira vez na manhã desta terça-feira (19) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do MPPR (Ministério Público do Paraná).

Richa foi preso sob suspeita de obstrução de Justiça. O tucano foi capturado na fase quatro da Operação Quadro Negro, que apura desvios em repasses para construção de escolas no estado.

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Richa se tornou réu em duas ações em fevereiro deste ano: organização criminosa e corrupção passiva no âmbito da Operação Integração, que investiga pagamento de propina a Richa e a outros agentes públicos por empresas de pedágio no Paraná, e por lavagem de dinheiro, em investigação que apura suposto esquema de corrupção envolvendo a concessão de rodovias federais no Paraná entre 1999 e 2018.

O R7 tenta contato com a defesa de Richa. 

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Preso pelo Gaeco

São alvo de mandado de prisão por tempo indeterminado o ex-secretário do Governo do Paraná Ezequias Moreira e o empresário Jorge Atherino. Ao pedir as detenções, o Ministério Público do Paraná afirmou que os crimes "não estavam restritos a servidores de baixo escalão, mas sim que eram estruturalmente coordenados pelo então governador do Estado, Beto Richa".

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"O que havia era uma verdadeira organização criminosa instalada no interior da Secretaria de Educação que tinha como objetivo precípuo obter a maior quantidade possível de vantagens indevidas, sendo que o maior beneficiário e líder da sistemática era o próprio governador do Estado", apontou o Gaeco.

"O que havia naquele órgão era a prática constante, rotineira, quase diária, de crimes, sendo que inúmeros empresários aliaram-se a esse esquema para, mediante paga, obter os favores do órgão público."

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Segundo os investigadores, Beto Richa "vem praticando atos ilícitos há décadas". Os promotores destacam que "a prática de ilícitos de grande gravidade é uma constante" para o ex-governador do Paraná.

Na decisão, o juiz Fernando Bardelli Silva Fischer, da 9ª Vara Criminal de Curitiba, afirmou que dos crimes de "corrupção e fraude à licitação supostamente decorreram outras práticas criminosas que perduraram até o ano de 2017, como crimes de obstrução de investigações e lavagem de dinheiro".

O magistrado relacionou as provas contra Beto Richa: despachos que autorizaram a realização do termo aditivo no contrato de construção e reforma das escolas estaduais, depoimentos do delator Mauricio Fanini afirmando que recebia as propinas e fazia o repasse a Beto Richa e que o tucano "lhe ordenou a apagar fotos, conversas e outros elementos de prova"; depoimento da mulher do delator, no qual afirma que o ex-governador "tranquilizou o marido após as irregularidades se tornarem públicas, ao lhe prometer uma recolocação em troca".

Ao decretar a prisão, o juiz apontou que "os supostos crimes e fraudes perpetrados em detrimento da construção e reforma de escolas estaduais, no âmbito da Operação Quadro Negro, desampararam aproximadamente 20.132 alunos".

"O prejuízo causado pelos supostos delitos apurados na Operação Quadro Negro, tanto sob a perspectiva da qualidade de vida dos alunos diretamente afetados, quando sob a probabilidade do dano social, é incomensurável em razão da sua extrema dimensão. O reflexo social de milhares de jovens que foram tolhidos do seu direito à educação adequada, tornando-os suscetíveis a situações de exclusão e marginalidade, poderá ser sentido ao longo de décadas", registrou o juiz.

O magistrado afirmou ainda. "Tais fatos, de extrema repercussão social, não podem passar incólumes pelo crivo do Poder Judiciário, sob pena de se deslegitimar o exercício da função precípua de um dos pilares da República."

Salvo-conduto

Na sexta-feira (15), o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), concedeu um salvo-conduto a Beto Richa, sua mulher Fernanda Richa e seu filho André no âmbito de uma decisão que soltou o contador Dirceu Pupo Ferreira, preso pela Lava Jato. A medida não alcança outras investigações, como a Operação Quadro Negro.

Defesas

O advogado Luiz Carlos Soares da Silva Júnior, que defende Jorge Atherino, disse que seu cliente "está à disposição da Justiça para quaisquer esclarecimentos".

A reportagem está tentando contato com a defesa de Beto Richa e de outros citados. O espaço esta aberto para as manifestações.

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