Ex-ministro da Cultura diz que foi pressionado por Geddel para liberar obra em Salvador

Celero acusou o atual ministro do governo de exigir liberação em favor de interesse pessoal

Ex-ministro da Cultura diz que foi pressionado por Geddel para liberar obra em Salvador

Calero diz que saiu por pressão do ministro Geddel

Calero diz que saiu por pressão do ministro Geddel

Reprodução/ Facebook

O ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, deixou a pasta, porém, plantou uma semente de discórdia no atual governo ao denunciar que o ministro Geddel Vieira Melo (Secretaria de Governo) o procurou, pelo menos cinco vezes, por telefone ou pessoalmente, para pedir a liberação de um projeto imobilário nos arredores de Salvador, numa área tombada sob proteção do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), autarquia ligado ao ministério da Cultura.

Segundo Calero, o minstro Geddel tem interesses econômicos no condomínio La Vue Ladeira da Barra. Nas conversas, Geddel teria dito que é dono de um apartamento e que as obras só poderiam começar após a liberação do Iphan. A autorização para a obra foi cassada. 

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Em entrevista publicada neste sábado, na Folha, o ex-ministro da Cultura contou detalhes da pressão feita por Geddel para mudar o parecer técnico e favorecer seus interesses pessoais. "Quando cheguei no governo, a presidente do Iphan, Jurema Machado, me alertou que existia um empreendimento na Bahia que despertava interesses imobiliários. E me recomendou especial atenção a mobilizações políticas que pudessem ocorrer. A partir disso, eu de fato recebi ligações do ministro Geddel dizendo que aquele empreedimento empregava muitas pessoas e que o Iphan Bahia tinha dado uma licença de construção que tinha sido cassada pelo Iphan nacional. Ele disse que essa decisão era absurda porque não levou em conta pareceres técnicos do Iphan da Bahia e não tinha dado ao empreendedor o direito de ampla defesa", disse Calero. 

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Em outro trecho da entrevista, Calero diz que foi novamente procurado pelo Geddel, de forma "truculenta e assertiva" pedindo urgência na liberação. O ministro da Cultura disse que ficou atônito e até pensou que a ligação pudesse estar sendo gravada para comprometê-lo no futuro. "Sou um cidadão de classe média, servidor público, diplomata de carreira. O único bem relevante que tenho na minha vida é a minha reputação, minha honra". O ex-ministro da Cultura diz que pensou até em acionar o Ministério Publico e a Polícia Federal 

Segundo Calero, na insistência em ter o projeto liberado o ministro Geddel ameaçou pedir a cabeça da presidente do Iphan e "Se for o caso, eu falo até com o presidente de República", teria dito Geddel a Calero. 

Calero diz que foi pressionado diretamente por Geddel e por diversos interlocutores do ministro de Governo. A partir da decisão técnica do órgão de não liberar a construção de andares altos, que irritou Geddel, começou o processo de fritura de Calero no governo. 

— Quando a decisão foi encarta começou uma pressão inacreditável. Percebi que tinha contrariado de maneira muito contundente um  interesse máximo de um dos homens fortes dentro do governo e que ninguém iria me apoiar.

A pressão de Geddel para mudar o parecer do Iphan que proibia a construção de mais andares foi a gota d'água para o diplomata de carreira Marcelo Calero pedir demissão do comando do Ministério da Cultura.

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