Brasil Exército Brasileiro destruiu documentos sigilosos que podiam incriminar assassinos de Vladimir Herzog

Exército Brasileiro destruiu documentos sigilosos que podiam incriminar assassinos de Vladimir Herzog

Após procurar militares responsáveis, R7 recebeu informação via Lei de Acesso à Informação

Exército Brasileiro destruiu documentos sigilosos que podiam incriminar assassinos de Vladimir Herzog

Vladimir Herzog foi morto no DOI-CODI após apresentar-se voluntariamente

Vladimir Herzog foi morto no DOI-CODI após apresentar-se voluntariamente

Arquivo/Estadão Conteúdo

A história do jornalista Vladimir Herzog, o Vlado, é icônica para entender os métodos adotados pelos militares durante a Ditadura Militar. Suspeito de manter ligação com o PCB (Partido Comunista Brasileiro) — que atuava ilegalmente na época, ele se apresentou ao DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informação — Centro de Operações de Defesa Interna) espontaneamente na manhã do dia  25 de outubro de 1975, um sábado. Horas depois o SNI (Serviço Nacional de Informações) anunciou seu suicídio.

A foto emblemática de seu corpo, feita por Silvaldo Leung Vieira, mostra Vlado pendurado por um cinto em uma cela. Suas pernas estão dobradas, o que impossibilita o suicídio. Além disso, o cinto — que o Exército alegou ser o instrumento usado para a prática — não fazia parte do uniforme, um macacão.

A família, há quase 42 anos, questiona a versão apresentada pelo Exército brasileiro. Eles questionam a falta de informação sobre a morte de Vlado. Não sabe quem colheu o seu depoimento e muito menos quem o matou.

Via Lei de Acesso à Informação, o R7 pediu informações sobre funcionários que estariam no DOI-CODI, na Rua Tutoia, 921, em São Paulo na data da morte de Vladimir Herzog. A proposta era, a partir dos dados dos militares presentes, fazer uma possível análise do culpado pelo crime. O pedido frisava ainda a importância dos horários de entrada e saída de cada pessoa, em quais setores trabalhavam e quais funções exerciam na instituição.

Em resposta, o Exército invoca o decreto nº 79.099, de 6 de janeiro de 1977, e afirma que tal determinação “permitia a destruição de documentos sigilosos, bem como os eventuais termos de destruição, pela autoridade que os elaborou ou pela autoridade que detivesse a sua custódia.”

A declaração acrescenta que “não foi localizado qualquer registro da documentação solicitada no Comando do Exército” e completa afirmando que “tais documentos, se existiram, foram destruídos pelas razões acima expostas.”

O filho mais velho de Vlado — e diretor executivo do Instituto em homenagem — Ivo Herzog comenta a resposta. “Eu acho que é covardia do Exército não ter coragem de assumir os atos que cometeu no passado. Uma instituição madura deve reconhecer o que fez no passado, se ela fez um julgamento, certo ou errado, que ela assuma esse julgamento.”

Ao lado da mãe, Clarice Herzog, Ivo foi em maio deste ano à Corte Interamericana de Direitos Humanos para exigir uma resposta. A expectativa da família é de que o Estado brasileiro seja penalizado pela prisão arbitrária, tortura e morte do jornalista. “A sentença deve sair até o final do ano”, explica.

Ivo Herzog completa. “A gente tem que andar pra frente e a gente só vai andar pra frente quando reconhecermos o que aconteceu no passado. E essa recusa do Exército e do próprio Estado brasileiro não colabora em nada para o aprimoramento da sociedade.”

Documento enviado, via Lei de Acesso à Informação, ao R7 pelo Exército

Documento enviado, via Lei de Acesso à Informação, ao R7 pelo Exército

Reprodução
    Access log