Brasil Falta de chuva: usinas vão reduzir vazão de água para evitar caos

Falta de chuva: usinas vão reduzir vazão de água para evitar caos

Em cenário crítico, atenção se volta para a bacia do Rio Paraná, que responde por 53% da capacidade nacional de geração de energia 

Agência Estado
Para garantir produção de hidrelétricas, elas vão liberar menos água ao Rio Paraná

Para garantir produção de hidrelétricas, elas vão liberar menos água ao Rio Paraná

PR/TV Brasil - 09.12.2020

As atenções de todo o setor elétrico se voltam, neste momento, para o nível dos reservatórios localizados na bacia do Rio Paraná. É nesta região que estão localizadas as principais barragens que abastecem todo o Sudeste e Centro-Oeste do país, com dezenas de usinas espalhadas pela calha principal do Rio Paraná e pelos rios que compõem a sua bacia, como Paranaíba, Grande, Tietê e Paranapanema. Sozinha, a bacia do Paraná responde por 53% da capacidade nacional de geração de energia do país. seu cenário, no entanto, é crítico.

Se considerado o volume total de água armazenada hoje na bacia do Paraná, a quantidade chega a apenas 27% de sua capacidade plena. Esse é o segundo pior nível de armazenamento dos últimos 21 anos nesta bacia. Não por acaso, o governo emitiu alerta de emergência hídrica para os cinco Estados banhados pelos rios: Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná.

Para tentar amenizar a situação e riscos de desabastecimento, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) decidiu que deverá ser liberada uma quantidade mínima de água nas barragens das hidrelétricas de Jupiá, localizada entre as cidades de Andradina e Castilho (SP) e Três Lagoas (MS); e Porto Primavera, na divisa dos municípios de Rosana (SP) e Batayporã (MS). Dessa forma, preserva-se mais água para atravessar o período seco. A questão é o impacto que essa redução pode trazer, seja ao meio ambiente e ao transporte fluvial, além de impactar na receita das donas dessas usinas.

Em condições normais, o mínimo de água que Jupiá tem que liberar é de 4.000 metros cúbicos por segundo (m³/s), enquanto Porto Primavera tem como regra o mínimo de 4.600 m³/s. Desde o fim do ano passado, o ONS tem determinado novas restrições de liberação de água. Agora, porém, impõe decisões drásticas. Em um pedido enviado ao Ibama na semana passada, o órgão afirma que, a partir de julho, a liberação de Jupiá não poderá ultrapassar 2.300 m³/s. Em Porto Primavera, a decisão é restringir a liberação a 2.700 m³/s.

"É imprescindível a redução das vazões mínimas a serem praticadas no trecho do baixo Paraná", afirma o ONS. Essa redução, segundo o Operador, "proporciona benefícios aos aspectos socioambientais em relação a uma condição natural da bacia do rio Paraná, caso se chegue na situação em que não haja nenhuma capacidade de regularização das vazões pelos reservatórios da bacia".

Questionado sobre o assunto, o ONS declarou, por meio de nota, que as ações "visam reduzir o risco da perda do controle hídrico" na bacia do rio Paraná. "Todas as medidas serão tomadas a partir de junho com o objetivo de garantir a devida governabilidade das cascatas hidráulicas, inclusive quanto à preservação do uso da água, ao longo do período seco de 2021", declarou.

O operador afirmou que tem sinalizado, desde 2020, "uma situação hidrológica bastante adversa, com uma escassez hídrica que não permitiu a total recuperação dos níveis dos reservatórios no período de outubro de 2020 a março de 2021, ainda que desde outubro do ano passado, com autorização do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), estivéssemos atuando em diversas frentes e adotando medidas preventivas".

Novas regras

Além de Jupiá e Porto Primavera, o ONS informou que as hidrelétricas de Ilha Solteira, Três Irmãos, Xingó, Furnas e Mascarenhas de Moraes também passarão a ter novas regras de liberação de água. "Todas estas deliberações serão apreciadas pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e, posteriormente, encaminhadas ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), por se tratarem de importantes iniciativas para manterem a segurança no abastecimento e no atendimento eletroenergético".

A empresa CGT Brasil, dona de Jupiá, declarou que "tem conhecimento da sensível situação" e vem colaborando com o ONS e demais órgãos "para que seja mantida a governabilidade das cascatas hidráulicas" no país.

"A empresa está desenvolvendo um Plano de Ação para viabilizar a redução controlada de vazão na UHE Jupiá, tendo por premissa o monitoramento e mitigação de possíveis impactos ambientais. Tal plano inclui pedido de participação dos órgãos governamentais nas ações. A empresa reforça que cumpre rigorosamente as Leis e demais normas vigentes no país e aguarda a determinação dos órgãos competentes em relação ao tema", informou.

A Cesp declarou que "reconhece e se sensibiliza com o cenário de crise hídrica vivida em âmbito nacional e vem colaborando ativamente com todas as solicitações do ONS e demais órgãos públicos, inclusive com reduções de vazão na usina hidroelétrica de Porto Primavera, já realizadas a pedido do próprio ONS, após aprovação do Ibama, sempre visando assegurar o melhor uso múltiplo da água".

A empresa também prepara um plano de trabalho de testes para avaliação conjunta de nova redução da vazão desta usina. "A Cesp reitera a importância de suas premissas socioambientais e assegura cumprir rigorosamente as leis brasileiras."

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