Brasil Filhos e parentes do senador Jucá são alvo de operação da PF

Filhos e parentes do senador Jucá são alvo de operação da PF

Operação investiga superfaturamento em obras do Minha Casa Minha Vida

  • Brasil | Celso Fonseca e Diego Junqueira, do R7

Senador Romero Jucá tem filhos sob investigação

Senador Romero Jucá tem filhos sob investigação

Agif/Folhapress

Filhos, enteadas e a ex-mulher do senador Romero Jucá (PMDB-RR) são alvo de operação conjunta da Polícia Federal de Roraima e da Receita Federal nesta quinta-feira (28) em Boa Vista, capital do Estado.

Batizada de Anel de Giges, a operação investiga uma organização criminosa que teria cometido os crimes de peculato, lavagem de dinheiro e desvio de verbas públicas.

São cumpridos 17 mandados judiciais expedidos pela Justiça Federal de Roraima, sendo nove mandados de busca e apreensão e oito mandados de condução coercitiva em Boa Vista (RR), Brasília (DF) e Belo Horizonte (MG).

Entre os alvos estão os filhos de Romero Jucá, Rodrigo de Holanda Menezes Jucá e Marina de Holanda Menezes Jucá Marques, a prefeita de Boa Vista, Teresa Surita, que é ex-mulher do senador, além de Luciana Surita da Motta Macedo e Ana Paula Surita Motta Macedo, suas enteadas.

A investigação identificou o desvio de R$ 32 milhões dos cofres públicos, tendo como origem o superfaturamento na aquisição da Fazenda Recreio, que pertence aos filhos do senador, localizada em Boa Vista, para a construção do empreendimento Vila Jardim, vinculado ao Minha Casa Minha Vida.

De acordo com comunicado da Polícia Federal, a fiscalização e aprovação do empreendimento pela Caixa Econômica Federal também é alvo da investigação.

O nome da operação é inspírado em passagem do livro A República, do filósofo grego Platão. O Anel de Giges permite ao seu portador que fique invisível e cometa crimes sem consequências.

Defesa

Procurada pelo R7, a prefeita de Roraima não se manifestou até a publicação desta reportagem. Em seu perfil no Facebook, Teresa Surita escreveu pouco antes das 9h30 que "paciência e perseverança tem o efeito mágico de fazer as dificuldades desaparecerem e os obstáculos sumirem".

Em nota enviada à imprensa, o senador Romero Jucá criticou "excessos" na operação, classificada por ele como mais um "espalhafatoso capítulo" de "desmando". Ele negou as acusações e disse que sua família não teme as investigações. Mais cedo, Jucá havia dito que não iria se intimidar pela operação.

Leia o comunicado de Jucá:

"Repudio mais um espalhafatoso capítulo de um desmando que se desenrola nos últimos anos, desta vez contra minha família. Como pai de família carrego uma justa indignação com os métodos e a falta de razoabilidade. Como senador da República, que respeita o equilíbrio entre os poderes e o sagrado direito de defesa, me obrigo a, novamente, alertar sobre os excessos e midiatização.

Não tememos investigação. Nem eu nem qualquer pessoa da minha família. Investigações contra mim já duram mais de 14 anos e não exibiram sequer uma franja de prova. Todos os meus sigilos, bancário, fiscal e contábil já foram quebrados e nenhuma prova. Só conjecturas.

Em junho de 2016, foi pedida a prisão de um presidente de um poder, de um ex-presidente da República e de um Senador com base em conjecturas. Em setembro agora, por absoluta inconsistência jurídica, o inquérito foi arquivado. Desproporcional e constrangedor, esse episódio poderia ter sido evitado. Bem como poderia ter sido evitado o de hoje. Bastava às autoridades pedirem os documentos anexados que comprovam que não há nenhum crime cometido.

Recebo essa agressão a mim e a minha família como uma retaliação de uma juiza federal, que, por abuso de autoridade, já responde a processo no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Tornarei público todos os documentos que demonstrarão a inépcia da operação de hoje".

Denúncias contra Jucá

O senador de Roraima, que não é alvo da operação desta quinta, é investigado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) nas operações Lava Jato e Zelotes.

Na Lava Jato, Jucá foi denunciado pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot no chamado "quadrilhão do PMDB", em que ele e os senadores peemedebistas Edison Lobão (MA), Jader Barbalho (PA), Renan Calheiros (AL) e Valdir Raupp (RO), além dos ex-senadores José Sarney (AP) e Sérgio Machado (CE), são acusados de organização criminosa e desvios de verbas de órgãos públicos.

Em outro processo, a PGR pediu o arquivamento de inquérito que investigava o senador por suposta obstrução de Justiça. A ação foi baseada na delação premiada de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, que gravou Jucá falando em "estancar a sangria" da Lava Jato. Para a PGR, não houve ação concreta do senador no sentido de barrar a operação.

Já na Zelotes, Jucá foi denunciado por suposto favorecimento ao Grupo Gerdau em uma medida provisória em troca de doações eleitorais.

As duas denúncias aguardam decisão do Supremo Tribunal Federal.

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