Brasil Geddel é condenado por pressionar liberação de obra em prédio de luxo

Geddel é condenado por pressionar liberação de obra em prédio de luxo

Decisão entende que houve improbidade administrativa em caso em que ex-ministro tentou liberação de empreendimento onde teria  comprado imóvel

  • Brasil | Márcio Pinho, do R7

O ex-ministro Geddel Vieira Lima

O ex-ministro Geddel Vieira Lima

José Cruz/Agência Brasil - 24.05.2016

O ex-ministro Geddel Vieira Lima foi condenado nesta segunda-feira (31) por improbidade administrativa por ter usado seu cargo para pressionar pela liberação por parte do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) da construção de um prédio de luxo em Salvador onde ele teria comprado um apartamento.

Ele foi condenado pela Justiça Federal à perda dos direitos políticos por cinco anos, pagamento de multa civil de dez vezes o valor da remuneração recebida enquanto ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, no governo de Michel Temer, e proibição de contratar com o poder público por três anos.

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O caso envolveu a saída de Geddel do governo em 2016. Geddel teria pressionado Marcelo Calero, ex-ministro da Cultura, pasta responsável pelo Iphan, pela liberação das obras do prédio La Vue, na Ladeira da Barra, área nobre de Salvador,que tinham sido embargadas. O Iphan justificou a decisão em razão do impacto em bens tombados na vizinhança, como o forte e farol de Santo Antônio.

O impedimento determinado pelo Iphan foi apontado por Calero como o principal motivo para sua saída da Esplanada dos Ministérios em novembro de 2016. Dias após a polêmica estourar, Geddel pediu demissão. 

Ao longo do processo, ele afirmou em sua defesa que não tentou em nenhum momento usar de sua influência para a liberação do empreendimento.

Geddel foi preso em setembro 2017, após a Polícia Federal encontrar malas com R$ 51 milhões em um apartamento atribuído a ele, na capital baiana. No ano passado, a segunda turma do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu condenar Geddel a 14 anos e 10 meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Ele cumpre pena no Centro de Observação Penal do Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador.

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