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Gilberto Carvalho diz que fez recomendação a pedido de cardeais

Ministro se defende e afirma que "a análise de contas não era e nunca foi minha função"

Brasil|Do R7

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O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, admitiu que "recomendou" a ONG Centro de Atendimento ao Trabalhador aos ex-ministros do Trabalho Carlos Lupi e Brizola Neto, por sugestão de cardeais das Arquidioceses de São Paulo e do Rio.

— Mas eu nunca pedi que forçassem uma barra para o Ceat.


Ele disse que recebeu padre Lício "muitas vezes".

— Quando eu era chefe de gabinete do Lula, dom Cláudio Hummes me pediu apoio do presidente ao Ceat, falou de uma entidade realizadora na qualificação do trabalhador. O presidente Lula sempre deixou claro que, em primeiro lugar, estava a questão técnica. Foi renovado o vínculo com o Ceat com base nas informações da Igreja. A análise de contas não era e nunca foi minha função.


Carvalho relata que "mais de uma vez vieram pedir".

— Padre Lício dizia para que eu falasse que o Ceat é de gente séria. Falei com o Lupi, depois com o Brizolinha. Pedi que atendessem, sempre ressaltando que olhassem a prestação de contas.


O ministro demonstra inconformismo.

— Esse é o típico caso em que a gente deu apoio confiando muito na posição da Igreja. O Ceat sempre foi o orgulho da Igreja. Não estou dizendo que há algum culpado, mas agimos baseados nas recomendações de dom Cláudio e dom Odilo Scherer e de dom Orani [cardeal do Rio]. Quem sempre reforçou a referência sobre padre Lício foram eles. Padre Lício sempre teve comportamento irrepreensível.


Carvalho destaca que o Ministério do Trabalho e a CGU "não sinalizaram" com problemas nas contas da ONG.

— Recomendei o Ceat sim, com a chancela da Arquidiocese de São Paulo e do Rio, que atestavam o trabalho como muito consistente. Padre Lício veio me convidar para evento do dia 1.º de maio, veio com a Jorgette [presidente da ONG] e com gente respeitável. Aí pediu que eu falasse com o ministro Manoel Dias, que seria importante. Eu disse: ‘fale direto com o ministro, ele já conhece o trabalho de vocês’. Eu não fiz nenhuma interferência, até poderia ter falado com o ministro [Manoel Dias], como falei com os outros [Lupi e Brizola] porque não tinha suspeita sobre o Ceat. Assim como eu, a Igreja ficou absolutamente surpresa. Essa é a verdade.

Carvalho lemrbou que, "quando houve as prisões eu pensei que devia ser engano muito grave, alguma pirotecnia".

— Liguei para o Zé Eduardo [Cardozo, ministro da Justiça], ele disse que era coisa séria. Tentei falar com d. Cláudio, estava em retiro. Dom Odilo já sabia das prisões, muito surpreso.

O criminalista Pedro Iokoi, que defende Jorgette, disse que o Ceat "não é entidade de fachada, promove trabalho de grande relevância social".

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