Governo terá maioria na comissão externa criada para investigar Petrobras
Mesmo sem evitar a criação do grupo, base garantiu cinco das oito vagas no colegiado
Brasil|Carolina Martins, do R7, em Brasília
Os líderes partidários da Câmara dos Deputados definiram, nesta terça-feira (18), que a base aliada ao governo vai ter cinco das oito vagas da comissão externa criada para investigar denúncias de fraude na Petrobras. As outras três vagas vão para partidos da oposição.
Segundo o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), os parlamentares chegaram ao consenso depois de concordarem que seria impraticável uma comissão com representação individual dos partidos.
— Tivemos compreensão de todos que, se fosse seguir rigorosamente o Regimento, teria que ter representante de quase todos os partidos, o que tornaria inviável o objetivo da comissão. Decidimos que será uma comissão composta por oito membros e um representante da Mesa Diretora, que vai coordenar os trabalhos.
Segundo o presidente, tanto a base como a oposição devem indicar os nomes até a próxima quarta-feira (19), para que seja feita a instalação imediata da comissão. A partir desse procedimento, os integrantes poderão se reunir para definir a agenda de trabalho.
A oposição reconhece que, como maioria na Câmara, a base aliada ao governo tem direito a um número maior de integrantes na comissão. No entanto, o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), espera que isso não prejudique a investigação da Petrobras.
— O governo tem a maioria na Casa. Tendo maioria na Casa, evidentemente tem maioria em qualquer comissão. Eu espero que sejam pessoas independentes, que busquem a verdade e o esclarecimento dos fatos relativos às irregularidades denunciadas.
A criação da comissão externa representa uma derrota do governo. O grupo foi sugerido pela oposição, que quer investigar as denúncias de que a empresa holandesa SBM Offshore teria pagado propina de mais de R$ 330 milhões a funcionários da estatal para fechar um contrato.
O governo tentou barrar, no plenário, a criação do colegiado na semana passada. No entanto, devido ao racha na base aliada, oito partidos de apoio não seguiram a orientação da bancada e votaram a favor da comissão externa.















