Ibope: 75% dos brasileiros querem prioridade para promoção da igualdade de gênero nas cidades
Pesquisa ecomendada pela ONU Mulheres tem como objetivo melhorar os ambientes urbanos
Brasil|Do R7

Uma pesquisa do Ibope encomendada pela ONU Mulheres mostra que 75% da população brasileira considera de grande ou extrema importância que gestores, gestoras, legisladores e legisladoras desenvolvam políticas de promoção da igualdade entre mulheres e homens. Considerando-se apenas as mulheres, esse número cresce para 78%, enquanto que entre os homens esse percentual é de 71%.
O estudo foi realizado no contexto da "Agenda Cidades 50-50: Todas e todos pela igualdade" e apresenta informações estratégicas sobre a importância das políticas públicas municipais para a promoção da igualdade de gênero. Os resultados indicam o nível de prioridade que os atuais prefeitos e prefeitas, vereadores e vereadoras devem conferir a diversas áreas avaliadas em nível macro e a partir de questões específicas.
Para 77% da população são muito/extremamente importantes políticas públicas que incentivem as mesmas oportunidades de acesso e desenvolvimento na educação e na cultura. Já 78% consideram muito ou extremamente importante que as prefeituras e câmaras municipais promovam políticas que incentivem o acesso de mulheres e homens as mesmas oportunidades de trabalho e mesmos salários. E 69% consideram muito/extremamente importante que prefeitos/as, prefeitas, vereadoras e vereadores promovam políticas visando assegurar oportunidades iguais de atuação em partidos políticos e governos para mulheres e homens.
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De acordo com a representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman, a pesquisa é um marco para a articulação entre gestão municipal e gênero porque estabelece indicadores de demanda por igualdade entre mulheres e homens nas cidades.
— Passamos a ter dados sobre as percepções de brasileiras e brasileiros sobre as suas condições de vida no contexto das relações de gênero, assim como a indicação sobre o que deve ser feito por prefeitas e prefeitos em áreas fundamentais da vida de uma cidade, tais como trabalho, salário, educação e participação política, agregando as dimensões de raça e etnia às questões de gênero. São informações preciosas e totalmente de acordo com os desafios assumidos pelo governo brasileiro no marco da Agenda de Desenvolvimento Sustentável, com vistas ao enfrentamento das desigualdades de gênero e à eliminação do racismo.
8 em cada 10 mulheres querem cidades mais igualitárias
Se 3 em cada 4 brasileiros e brasileiras consideram fundamental a construção de cidades mais igualitárias, a análise dos dados segmentados por sexo evidencia como as mulheres tenderão a cobrar mais reconhecimento e garantia de direitos às novas gestões das prefeituras e legislativos municipais.
A pesquisa indica que prefeitas, prefeitos, vereadoras e vereadores devem olhar com muita atenção as demandas das mulheres, que têm estado à frente de manifestações de rua, ocupações de escolas e são mais de metade da força de trabalho no país. De acordo com o estudo, são 81% as mulheres que consideram muito ou extremamente importante a igualdade no mercado de trabalho, enquanto 73% dos homens têm a mesma opinião.
Ao aplicar-se um recorte por raça/cor, os números encontrados são semelhantes. Para 75% dos brancos e brancas, 74% dos negros e negras (pretos, pretas e pardos e pardas) e 78% das pessoas que se autodeclaram de outra raça/cor (amarelos, amarelas e indígenas, por exemplo) o desenvolvimento de políticas públicas de igualdade de gênero tem muita/extrema importância.
Metodologia
Para chegar ao inédito indicador de demanda por equidade de gênero nas cidades, as pessoas entrevistadas responderam sobre que grau de importância vereadoras, vereadores, prefeitas e prefeitos devem dar a três dimensões: mesma oportunidades de acesso e desenvolvimento na educação e na cultura; no mercado de trabalho e mesmos salários; e de atuação nos partidos políticos e nos governos.
Ao todo foram realizadas 2.002 entrevistas com homens e mulheres de 16 anos ou mais em 143 municípios. A margem de erro de 2 pontos percentuais.
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