Brasil Incêndio do Borba Gato demonstra como esquerda precisa aprender a protestar dentro da lei e da ordem

Incêndio do Borba Gato demonstra como esquerda precisa aprender a protestar dentro da lei e da ordem

Qual o sentido de incendiar, depredar, vandalizar e quebrar vidraças em nome de "bandeiras" supostamente libertárias?

  • Brasil | Marco Antonio Araujo, do R7

O movimento "Revolução Periférica" assumiu o ato de vandalismo contra o Borba Gato

O movimento "Revolução Periférica" assumiu o ato de vandalismo contra o Borba Gato

GABRIEL SCHLICKMANN / ISHOOT / ESTADÃO CONTEÚDO - 24.07.2021

A imagem da estátua do Borba Grato sob labaredas e fumaça preta causou um impacto inicial. E chamou a atenção pelo ato de vandalismo ocorrer à luz do dia, de forma grosseira e amadora. Desde o início, era fácil imaginar a facilidade com que a polícia chegaria aos “ativistas”. Mais que uma manifestação de protesto de efeito duvidoso, tratou-se de um ato de extrema burrice.

Os desdobramentos levaram à prisão do motorista da van que transportou os carbonários e sua pilha de pneus.

Cabe um parêntese: queimar inimigos desta forma é prática consagrada por milicianos e integrantes do crime organizado – e recebe a perversa denominação de “micro-ondas. Fica difícil defender a opção estética dos jovens de esquerda da autodenominada “Revolução Periférica” que pretendiam chamar a atenção para o massacre de índios de fato promovido pelos bandeirantes paulistas, notórios escravagistas de negros, também.

Pois o que conseguiram, no máximo, foi tostar levemente o monumento e gerar um debate precário (como sempre, fratricida) entre facções da esquerda – pois entre a direita e cidadãos comuns o consenso imperou, com nuances apenas sob o tamanho da inutilidade e grau de indignação causado pelo atentado.

As investigações levaram ao idealizador do protesto (mandante do crime, segundo a Justiça), o motoboy Paulo Roberto da Silva Lima, conhecido como Paulo Galo, que voluntariamente foi à delegacia prestar depoimento. Lá mesmo recebeu ordem de prisão temporária, logo convertida em preventiva, por decisão da juíza Gabriela Marques da Silva Bertoli, do Tribunal de Justiça do Estado, a pedido da Polícia Civil.

Aí começou uma avalanche de protestos liderados por aqueles que não entendem por que a população em geral pendura na conta da esquerda a defesa de bandidos. Por mais que a palavra soe forte no caso de Galo, é como as pessoas comuns percebem toda insistência do “pessoal dos direitos humanos” em querer a liberdade de gente que praticou crimes (no caso, de autoria mais que comprovada).

E associam, com toneladas de razão, os movimentos de esquerda com a ilegalidade. Não há como lutar por igualdade e justiça social dentro lei? Qual o sentido de incendiar, depredar, vandalizar, quebrar vidraças, invadir propriedade privadas e causar prejuízo ao Estado – tudo isso em nome de seus ideais supostamente libertários?

 Artistas como Mano Brown, Criolo, Emicida e Rashid foram as redes sociais para bravamente defender a liberdade de Galo e seus colegas (ou comparsas, como deve constar no boletim de ocorrência). Políticos de esquerda se juntaram aos ativistas nessa luta a favor dos piromaníacos. “Uma prisão para calar a luta”, declarou Brown. Que luta? Não ficou claro, e poucos têm disposição para descobrir qual seja.

Para a opinião pública, esses esforços dos companheiros só ajudam a tostar ainda mais a imagem, desta vez, das bandeiras da esquerda. Sem trocadilho.

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