Integrantes da CPMI da Petrobras esperam ter acesso à delação premiada de Paulo Roberto Costa até a próxima semana
Parlamentares criticaram partidos denunciados por ex-diretor da Petrobras
Brasil|Bruno Lima, do R7, em Brasília

Parlamentares da CPMI da Petrobras estão otimistas com a possibilidade de receber os depoimentos do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, até a próxima semana. Durante seu primeiro depoimento após firmar acordo de delação premiada, que aconteceu nesta quarta-feira (8) em Curitiba (PR), o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras afirmou que a estatal pagou propinas ao PT, PMDB e PP para financiamento das campanhas eleitorais de 2010.
O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras admitiu que o ex-deputado José Janene (PP-PR) o indicou para o cargo em 2004. Segundo Costa, o objetivo era estruturar um esquema de pagamento de propinas para os partidos a partir de contratos superfaturados da estatal com empreiteiras e fornecedores.
O deputado federal Izalci Lucas (PSDB-DF), que faz parte da Comissão, criticou os partidos denunciados por Costa e comparou o caso com o escândalo do Mensalão. O parlamentar também responsabilizou a presidente Dilma Rousseff pelo esquema e disse acreditar que os partidos citados por Costa comandavam o processo para viabilizar financiamento de campanha. Para o parlamentar, o esquema que ele chama de “Petrolão” seria a continuação do "mensalão".
O deputado acredita que o parecer das investigações seja concluído antes do prazo final da CPMI, que se encerra no dia 23 de novembro. Izalci explicou que o acesso ao depoimento de Paulo Roberto deve ser liberado até segunda-feira e que vai agilizar os trabalhos dos deputados e senadores.
— Uma coisa que pode agilizar muito o processo e a gente deve ter acesso nesta semana é a delação premiada. Ela vai agilizar o processo de investigação. Nós estávamos trabalhando em cima das quebras de sigilo fiscal, telefônico e bancário. Eu acho que antes do segundo turno algumas novidades aparecerão.
O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) avaliou que as denúncias do ex-diretor da Petrobras são graves e que devem ser apuradas. Lorenzoni também atacou os partidos citados por Paulo Roberto e disse que todos os envolvidos devem ser punidos. O parlamentar afirmou ainda que o acesso ao depoimento de Costa é fundamental para a apuração das denúncias.
— Eu acredito que uma vez que a delação premiada foi aceita pelo ministro Teori, não há nenhum problema de a CPI, que é um instrumento legislativo com poder judiciário, ter acesso à essa delação e eu acredito que esse material chegue nesta semana, ou na outra à CPI.
O senador Humberto Costa (PT-PE) minimizou o depoimento de Paulo Roberto e disse que uma análise mais profunda só poderá ser feita quando a CPI receber os documentos.
— Eu realmente não tive conhecimento pleno do que ele falou. As informações que tinham saído anteriormente falavam até em outros partidos e governadores e isso não saiu ontem. Eu não sei a fidedignidade deste depoimento. É preciso que haja uma formalização sobre isso para que as pessoas possam opinar.
Paulo Roberto Costa foi preso no começo do ano após a Operação LavaJato, que levantou diversas denúncias envolvendo a Petrobras. Ele assinou um acordo de delação premiada, que foi homologado pelo ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal). Costa foi transferido da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba para sua casa no Rio de Janeiro.















