Investimentos em obras de infraestrutura caem em 10 anos
Queda está relacionada com instabilidade econômica, aumento no desemprego, redução de renda, crédito mais escasso e caro
Brasil|Thais Skodowski, do R7

O investimento em obras de infraestrutura no país teve redução nos últimos anos, de acordo com a PAIC (Pesquisa Anual da Indústria da Construção), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (7).
Entre 2007 e 2016, houve redução da participação das obras de infraestrutura no setor da construção, que passaram de 45,6% em 2007 para 29,5%.
Apenas R$ 94,1 bilhões dos R$ 299,1 bilhões em obras contratadas no país estavam relacionados a gastos do poder público.
A construção de edifícios representou 48,5% do setor no que diz respeito à geração de valor.
O cenário é bem diferente de 2007, quando o investimento do poder público era maior que o privado. Há onze anos, obras de infraestrutura representavam a maior parcela da atividade, com 45,6%, enquanto que a construção de edifícios tinha uma participação de 38,8%.
José Carlos Guabyraba, gerente da pesquisa, comentou sobre a retração do setor da construção que foi liderado pela queda de investimento público.
— Entre 2007 e 2016, muitas obras, como estádios, ginásios, rodovias, hidrelétricas, foram concluídas. Então, há uma redução no investimento público, até por escolhas políticas e privatizações de estatais.
Soma-se a isso, a instabilidade econômica que começou em 2015, com aumento no desemprego, redução de renda, crédito mais escasso e caro.
Em relação ao valor agregado à economia, as obras de infraestrutura - que detinham a maior participação no início do período - tiveram uma perda relativa de representatividade, passando de 41,3% para 29,5%. Já a construção de edifícios saiu de 39,7%, em 2007, para 45,9%.
Ranking da construção
Em uma categoria mais detalhada, dividida em sete agrupamentos, é possível dimensionar quais tipos de obras de infraestrutura sofreram maior retração no setor da construção.
A construção de rodovias, ferrovias, obras urbanas e obras-de-arte especiais que representavam a primeira colocação, em 2007 (21,4%) perderam uma posição, caindo para o segundo lugar (18,4%), em 2016.
Por sua vez, as obras de infraestrutura para energia elétrica, telecomunicações, água, esgoto e transporte de dutos foram mais afetadas. Elas caíram do segundo lugar em 2007 (18,2%) para o quarto lugar em 2016 (13,3%).
As obras residenciais foram as que mais ganharam participação no ranking, passando da quinta posição (15,1%) para a primeira (26,7%), em 2016.
O terceiro lugar na tabela, em 2016, eram dos serviços especializados para construção (17,7%) que em 2007, ocupava a quarta colocação (15,5%).
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Já as edificações industriais, comerciais e outras edificações não residenciais perderam duas posições, passando do terceiro lugar (16,9%), em 2007, para ocupar o quinto lugar (13,0%), em 2016. Por fim, os dois últimos grupamentos mantiveram suas posições: construção de outras obras de infraestrutura na sexta colocação e incorporação de imóveis construídos por outras empresas na sétima, apesar de aumentado a sua participação no total.
A PAIC organiza os produtos e/ou serviços oferecidos por empresas com 30 ou mais ocupadas em sete grupos: Incorporação de imóveis construídos por outras empresas; Obras residenciais; Edificações industriais, comerciais e outras edificações não residenciais; Construção de rodovias, ferrovias, obras urbanas e obras de arte especiais; Obras de infraestrutura para energia elétrica, telecomunicações, água, esgoto e transporte por dutos; Construção de outras obras de infraestrutura; e Serviços especializados para construção.
















