Itamaraty tenta acabar com rota ilegal de imigração de haitianos, diz ministro
Chanceler Luiz Alberto Figueiredo lamentou a ação de ‘coiotes’ nas fronteiras brasileira
Brasil|Da Agência Câmara

O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, disse, nesta quarta-feira (7), que é lamentável a ação de “coiotes” para trazer haitianos para o Brasil.
Figueiredo relatou, durante audiência na Câmara dos Deputados, que o Brasil é um dos poucos países que adota uma política de vistos humanitária para cidadãos haitianos e que, ainda assim, muitas pessoas daquele país preferem recorrer a “coiotes” por falta de documentação ou mesmo por pressa.
O chanceler tocou no assunto provocado pela deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), segundo quem há mais de três anos o Acre sofre com fluxo migratório de imigrantes haitianos. A parlamentar defendeu que o Brasil apoie mais a reconstrução do Haiti para manter essa população lá, mas também se mostrou preocupada com a facilidade com que se entra ilegalmente no País.
O chanceler acrescentou que o Itamaraty tem feito campanhas de esclarecimento para mostrar ao povo haitiano que é mais fácil e rápido buscar a via legal para emigrar para o Brasil. Outra medida será estabelecer que aqueles que chegarem legalmente terão prioridade de acesso aos programas sociais brasileiros.
Interferência
Durante a audiência, Figueiredo também negou que exista interferência do assessor de assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, em assuntos do Itamaraty.
— É um esclarecimento que precisa ser feito. Não há interferência de integrantes de outros órgãos no ministério. Respondemos apenas à presidente Dilma.
O embaixador explicou que Garcia participa de atividades relacionadas à América do Sul auxiliando o Ministério das Relações Exteriores, por ter relações bem antigas com integrantes dos governos de alguns países.
— Na última vez em que ele foi à Venezuela, ele foi a meu pedido.
Ele lembrou também que o Brasil, junto com Colômbia e Equador, foi escolhido em conjunto pelo governo e a oposição venezuelanos para intermediar as negociações.
— As coisas lá já estão bem melhores.
Em resposta a pergunta do deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP) sobre o Irã, Figueiredo respondeu que o atual governo do país pérsico busca resolver todas as suas questões internacionais relacionadas à energia nuclear. Também perguntado sobre a crise na Ucrânia, o chanceler justificou que o Brasil se absteve de censurar o plebiscito realizado pela população de origem russa da Crimeia por questões de redação do texto.
— Nós apoiamos a Ucrânia independentemente de qualquer resolução.
Figueiredo Machado participou de audiência pública encerrada há pouco da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional sobre a execução da política externa brasileira.















