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Jeitinho de políticos para Carnaval fora de época desagrada à população 

Grosso modo, segundo pesquisas, “mais de 70% desaprovam Carnaval no Rio; em SP, índice chega a mais de 80%”

Brasil|Marco Antonio Araujo, do R7

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Os blocos carnavalescos fora de hora contam com apoio de menos de um terço da população
Os blocos carnavalescos fora de hora contam com apoio de menos de um terço da população

O Brasil é um país cuja maioria expressiva da população é conservadora. Foi-se o tempo em que a imagem do país era recebida no exterior como a de um povo liberal nos costumes a viver seminu em passarelas de samba e praias paradisíacas. Ser brasileiro era sinônimo de sensualidade, aglomerações mundanas e muito, digamos, destaque para os quadris.

No que se chama academicamente de “guerra cultural”, foi essa visão libertária e festiva que sempre prevaleceu por décadas. Essa impressão está mudando. Aceitem. Não há exemplo melhor do que o Carnaval das escolas de samba e os famigerados blocos de rua. A pandemia deixou algumas lições. Uma delas é: a espetacular festa pagã está longe de ser uma preferência nacional.


Uma curiosa manchete foi vista hoje em jornais e sites de notícias: “26% apoiam o Carnaval fora de época no RJ; em SP, índice de aprovação é 17%, aponta Datafolha”. Ué. O certo não seria, grosso modo, “Mais de 70% desaprovam Carnaval fora de época no Rio; em SP, índice chega a mais de 80%”? É só uma questão de ponto de vista? Creio que não.

O Carnaval é (faz tempo) uma indústria, que move milhões de reais, gera empregos (quase todos precários e informais) e, de fato, alegra algumas dezenas de milhares de pessoas. É business. Mas está longe de ser uma prioridade patriótica, uma demanda de forte apelo popular e muito menos motivo para ver suas datas encavaladas com o Dia de Tiradentes, coitado.


Esse foi o jeitinho demagógico que políticos encontraram para agradar ao pessoal que vive do samba. Afinal, há votos e muito dinheiro em jogo. O povão, pelo visto, percebeu o truque e mandou seu recado. Menos, pessoas.

Quem quiser cair na folia, que caia. Só não vale dizer que é o maior espetáculo da Terra. Tem muitos momentos bonitos, chama a atenção internacional (por motivos, a rigor, “turísticos”, no sentido Mamãe Falei do termo). Não vamos negar.

Mas está longe de representar a alma de uma nação. Ainda mais com todo mundo correndo na avenida da realidade de boletos a pagar, colocar comida na mesa e arrumar emprego. Haja rebolado, haja alegoria, haja ginga. Vamos levar o Carnaval mais a sério.

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