Joaquim Barbosa descarta candidatura à Presidência, diz jornal
Ex-ministro do STF também avaliou o cenário político em que o país está inserido
Brasil|Do R7

O ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa avaliou o cenário político do Brasil e avaliou que o país “passa por um retrocesso institucional”. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, publicada nesta sexta-feira (1º), Barbosa diz acreditar que grandes líderes mundiais estão fugindo do país devido à crise institucional.
— O Brasil passa por um retrocesso institucional que se reflete em sua imagem externa. É um país incontornável, mas que está impedido de exercer seu papel internacional por força da conjuntura triste pela qual passamos. É triste ver os grandes líderes mundiais evitarem o Brasil.
O jurista diz que os políticos estão fugindo do país por conta da “balbúrdia institucional que se instalou no Brasil” e das instituições que estão fragilizadas.
— Nosso país foi sequestrado por um bando de políticos inescrupulosos que reduziram nossas instituições a frangalhos. Em nenhum país do mundo um chefe de governo permaneceria um dia sequer no cargo depois de acusações tão graves quanto aquelas que foram feitas contra Temer. O Brasil entrou numa fase de instabilidade crônica, da qual talvez só saia em 2018.
Frequentemente, Barbosa é questionado se tem pretensões de se tornar presidente do país. Sem demorar, respondeu se é candidato ou não nas eleições de 2018.
— Não, não sou [candidato].
Ainda durante a entrevista para o jornal, o ex-ministro falou sobre as discussões acerca do parlamentarismo, que está em pauta entre os caciques políticos.
— Essa gente é tão sem escrúpulo que vai tentar impor o parlamentarismo para angariar a perpetuação no poder e se proteger das investigações. Esse é o plano. Seria mais um golpe brutal nas instituições [...] O Brasil já fez, nos últimos 50 anos, dois plebiscitos. Em ambos, a votação contrária foi avassaladora. Em 1993, o parlamentarismo não obteve, se não estou enganado, mais de 25% dos votos [foram 30,8%]. É uma ideia absolutamente exótica à organização institucional brasileira. O país vive há quase 130 anos sob um regime presidencialista. Seria uma irresponsabilidade absurda testar um experimento exótico desse, como se fosse um brinquedinho, um ioiô.
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Barbosa também fez duras críticas ao impeachment de Dilma Rousseff (PT), que completou um ano nesta semana.
— Eles instauraram no Brasil a ordem jurídica deles, e não a das nossas instituições. O Brasil teve um processo de impeachment controverso e patético e o mundo inteiro assistiu. A sequência daquele impeachment é o que estamos vendo hoje. Não há parâmetro de comparação entre a gravidade dos fatos. Michel Temer deveria ter tido a honradez de deixar a Presidência.
Segundo ele, a população deixou de manifestar contra Temer única e exclusivamente por motivo de sobrevivência.
— Acho que os brasileiros estão cansados de tudo isso, da instabilidade e dessas manipulações indecentes que são feitas. As pessoas estão na luta pela sobrevivência. Afinal de contas, são 13 milhões de desempregados. A prioridade é sobreviver.
O jurista também avaliou a necessidade das reformas trabalhista e previdenciária.
— São reformas importantes, talvez não com essa visão ultraliberal que se quer implantar, que mexem no cerne do pacto social, mas é muito grave que estejam sendo conduzidas por um governo que não foi respaldado pelo voto.















