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Justiça do DF repassa caso de Geddel para STF

Deputado Lúcio Vieira Lima possui foro privilegiado e estaria envolvido

Brasil|Do R7

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Lúcio tem foro privilegiado e deve ser investigado pelo STF
Lúcio tem foro privilegiado e deve ser investigado pelo STF

A Justiça Federal do Distrito Federal encaminhou a investigação contra o ex-ministro Geddel Vieira Lima para o STF (Supremo Tribunal Federal) por haver indícios de que seu irmão, o deputado Lúcio Vieira Lima, possa ter participação no crime. O despacho da decisão, assinado pelo juiz federal Vallisney de Souza Oliveira nesta quarta-feira (13), determina que “não se pode excluir de plano” a participação do parlamentar em esquema de lavagem de dinheiro do ex-ministro.

Como Lúcio Vieira possui foro privilegiado, a justiça do DF considerou que o caso precisa ser julgado pelo Supremo. Segundo o despacho, ele é suspeito “ocultação de valores de origem supostamente ilícita”, porque foram encontradas impressões digitais do parlamentar em mala de dinheiro do bunker de Geddel.

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A justiça do DF considera que mesmo que não existiam indícios de participação do deputado em crimes anteriores à apreensão do dinheiro, agora há alguns que podem incriminar Lúcio. O despacho explicita que “o certo é que a partir de agora, diante da existência de sinais de provas capazes de levá-lo a eventual indiciamento no delito de lavagem de dinheiro, delito este que até o que se sabe possui relação com o anterior (fraudes na Caixa Econômica Federal – Operação “Cui Bono”), o processo não poderá prosseguir neste Juízo, sem antes haver uma cognição pelo Supremo Tribunal Federal sobre todos as questões referentes aos procedimentos diretos e circunstanciais a esta apuração”.

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Até o fechamento da matéria, a reportagem não conseguiu contato com a assessoria do deputado. 

Entenda o caso

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A Polícia Federal encontrou R$ 51 milhões em um apartamento em Salvador (BA). A descoberta foi feita durante a Operação Tesouro Perdido, decorrente da Operação Cui Bono, deflagrada na manhã do dia 5 de setembro para cumprir mandados de busca e apreensão emitidos pela 10ª Vara Federal de Brasília. O espaço seria usado pelo ex-ministro para guardar dinheiro em espécie.

Geddel Vieira Lima foi ministro da Secretaria de Governo de Temer até ser acusado, pelo ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, de pressioná-lo para liberar um empreendimento imobiliário na Bahia, onde Geddel tem um imóvel e que havia sido barrado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico Nacional), subordinado ao Ministério da Cultura. A área onde está o imóvel é tombada. Após o caso ser revelado, Geddel pediu demissão, ainda em novembro do ano passado.

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Poucas semanas depois, Geddel se tornou um dos investigados na Operação Cui Bono, deflagrada no dia 13 de janeiro, que apura irregularidades cometidas na vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, durante o período em que foi comandada pelo político baiano.

A investigação teve origem na análise de conversas registradas em um aparelho de telefone celular apreendido na casa do então deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O teor das mensagens indicam que Cunha e Geddel atuavam para garantir a liberação de recursos por vários setores da Caixa Econômica a empresas que, após o recebimento, pagavam vantagens indevidas aos dois e a outros integrantes do esquema, entre eles Fábio Cleto.

Cleto, que ocupou por indicação de Eduardo Cunha a vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias, foi quem forneceu as primeiras informações aos investigadores. Em meados do ano passado, ele fechou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria Geral da República.

Em 4 de julho, Geddel foi preso sob acusação do MPF (Ministério Público Federal) de estar tentando obstruir as investigações. Nove dias depois, o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) decretou prisão domiciliar a Geddel, mesmo sem a tornozeleira elotrônica

Além de Geddel, há outros quatro presos preventivos no âmbito das investigações da Operação Sépsis Cui Bono. Já estão detidos os ex-presidentes da Câmara, Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, o doleiro Lúcio Funaro e André Luiz de Souza, todos apontados como integrantes da organização criminosa que agiu dentro da Caixa Econômica Federal.

No caso de Cunha, Alves e Funaro, já existe uma ação penal em andamento. Os três são réus no processo que apurou o pagamento de propina em decorrência da liberação de recursos do FI-FGTS para a construção do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. Além deles, respondem à ação, Alexandre Margoto e Fábio Cleto.

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