Laudo preliminar do IML indica que coronel Malhães morreu vítima de infarto
Torturador havia admitido à Comissão da Verdade envolvimento em mortes durante a ditadura
Brasil|Do R7, com Agência Brasil

O laudo preliminar da morte do coronel do Exército reformado Paulo Malhães, de 76 anos, divulgado nesta segunda-feira (12), aponta que o militar morreu vítima de infarto, durante a invasão de seu sítio, na zona rural de Nova Iguaçu (RJ), no último dia 25.
Em depoimento à Comissão da Verdade, Malhães havia admitido recentemente envolvimento em assassinatos e torturas cometidos pelo Exército Brasileiro durante a ditadura militar.
Encarregado do inquérito, o delegado Pedro Medina disse que a polícia está tentando esclarecer, após consulta ao Instituto Médico-Legal, o que provocou o ataque cardíaco.
— Queremos saber se o infarto foi provocado pela violenta emoção, uma vez que a vítima já tinha doença cardíaca preexistente, ou alguma ação dos invasores da casa provocou o infarto na vítima.
Embora oficialmente não esteja descartada a hipótese de envenenamento, o delegado disse não haver, a princípio, indícios que comprovem a suspeita.
— Foram retiradas algumas peças do local do crime. Se ele fosse envenenado, eles [os criminosos] teriam deixado vestígios. Vários panos com secreção foram encaminhados para perícia, mas o resultado final só será divulgado ao fim da investigação.
Medina comentou que também depende da definição do horário da morte para elucidar o crime.
— A gente já tem noção do que aconteceu na casa durante o crime. Vamos esclarecer mais ou menos o momento da morte da vítima. Enfim, são uma série de fatores que vão permitir fechar esse quebra-cabeça.
A recuperação das armas roubadas da casa do coronel, revelou o delegado, deixa a polícia mais próxima de identificar a autoria do crime.
— A gente achava mais difícil recuperá-las [as armas levadas da casa do coronel], porque não tínhamos a numeração exata. Elas poderiam estar espalhadas por vários locais, mas nosso trabalho de inteligência possibilitou a apreensão.















