Lula realizou 30 palestras para empresas investigadas na Lava Jato ao custo de R$ 11,8 milhões
Instituto Lula divulgou todas as palestras do ex-presidente, ao custo de US$ 200 mil cada
Brasil|Do R7

O Instituto Lula divulgou nesta terça-feira (22) uma lista com todas as palestras pagas que foram realizadas pelo ex-presidente após ele deixar a Presidência.
Entre 2011 e 2015, Lula proferiu 72 palestras remuneradas para um total de 45 empresas, além de "centenas de palestras gratuitas".
De acordo com o documento, divulgado no site do Instituto Lula, o valor de cada palestra foi fixado em US$ 200 mil. Lula, portanto, recebeu US$ 14,4 milhões com todas as palestras nesse período.
Dentre as 72 palestras, 30 foram pagas por empresas investigadas na Operação Lava Jato: Andrade Gutierrez (5); UTC (1); Odebrecht (8); OAS (5); Queiroz Galvão (3); Camargo Correa (5); e BTG Pactual (3).
Essas sete empresas desembolsaram um total R$ 11,8 milhões para contratar os serviços do ex-presidente pelas 30 palestras mencionadas — veja, ao final da reportagem, a data de cada uma dessas palestras e o preço delas, de acordo com a cotação da época.
“Em 2011, o ex-presidente Lula criou a 'LILS Palestras, Eventos e Publicações' para administrar os convites que começou a receber para proferir palestras e conferências (..). Convidou Paulo Okamotto, amigo desde a década de 70, para ser seu sócio. Ao criar a LILS, usaram como modelo as empresas que, pelo mundo todo, administram os convites recebidos por líderes políticos, artistas, esportistas, jornalistas e outras personalidades. (...) A LILS estabeleceu um contrato padrão para ser usado em cada palestra e tomou como referência o valor em reais equivalente a 200 mil dólares, de acordo com a taxa de câmbio da época da palestra, semelhante ao cobrado por outros ex-presidentes de projeção internacional”, diz o Instituto Lula.
No documento, há imagens e reportagens de cada uma das palestras. Essa estratégia vem sendo usada pelo instituto para comprovar o serviço prestado pelo ex-presidente às 45 empresas que o contrataram.
No mesmo período, informa o Instituto Lula, o ex-presidente “também realizou centenas de palestras gratuitas para movimentos sociais, partidos políticos, sindicatos, organizações não-governamentais e outras entidades sem fins lucrativos”.
A primeira palestra ocorreu no dia 24 de fevereiro de 2011, custeada pela construtora Andrade Gutierrez. Nesta data, o dólar estava avaliado em R$ 1,66, o que indica que a palestra lhe rendeu cerca de R$ 332 mil.
A 72ª e última palestra da lista ocorreu em 12 de dezembro de 2015, para a empresa do jornal espanhol El País. Com o dólar cotado em R$ 3,87 à época, a palestra rendeu cerca de R$ 774 mil ao ex-presidente.
Prestação de serviço
Segundo o instituto, o discurso do ex-presidente “teve sempre o mesmo eixo: contar o sucesso de seu governo, sua história pessoal de superação e discorrer sobre as políticas públicas e programas sociais que aplicou no Brasil”.
O documento aponta que Lula se tornou “um exemplo de sucesso” no mundo inteiro “a ser conhecido e reverenciado”.
Durante seus dois mandatos (2003-2006 e 2007-2010), Lula criou 15 milhões de empregos formais, além de ter tirado 24 milhões da situação de miséria. Nesse período, o salário mínimo avançou 67%.
Segundo o Instituto Lula, as informações divulgadas hoje são “um resumo fiel” do que foi entregue à Receita Federal, em outubro passado, após ofício enviado à empresa para apurar os rendimentos da LILS.
O valor recebido pelas palestras coincide com declarações do MPF (Ministério Público Federal) e do juiz Sérgio Moro, durante a 24ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada em 4 de março, quando Lula foi levado à força para depoimento.
A condução coercitiva de Lula na época foi motivada pela quebra de sigilo fiscal e bancário do Instituto Lula e da empresa LILS.
Usando informações do MPF, Moro alegou à época que “a LILS Palestras, Eventos e Publicações Ltda. recebeu pagamentos de cerca de R$ 21.080.216,67 entre 2011 e 2014, sendo que R$ 9.920.898,56 foram provenientes das empresas Camargo Correa, OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez, UTC e Queiroz Galvão”. Esses valores, portanto, estão dentro da informação declarada hoje pelo Instituto Lula.
Mas o MPF e Moro questionavam também “as doações de cerca de R$ 34.940.522,15 entre 2011 e 2014”, ao Instituto Lula, “sendo que R$ 20.740.000,00 foram provenientes das empresas Camargo Correa, OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão”.
Palestras pagas por empresas investigadas na Lava Jato
Andrade Gutierrez (5)
- 24/02/2011: 200 mil dólares = R$ 332 mil
- 23/11/2012: 200 mil dólares = R$ 416 mil
- 09/12/2012: 200 mil dólares = R$ 418 mil
- 18/03/2013: 200 mil dólares = R$ 396 mil
- 24/04/2014: 200 mil dólares = R$ 442 mil
UTC (1)
- 20/12/2012: 200 mil dólares = R$ 412 mil
Odebrecht (8)
- 02/06/2011: 200 mil dólares = R$ 314 mil
- 01/07/2011 (em parceria com centro de Estudos Estratégicos de Angola): 200 mil dólares = R$ 310 mil
- 01/02/2013: 200 mil dólares = R$ 396 mil
- 05/06/2013: 200 mil dólares = R$ 424 mil
- 15/10/2013: 200 mil dólares = R$ 434 mil
- 22/10/2013: 200 mil dólares = R$ 434 mil
- 26/02/2014: 200 mil dólares = R$ 470 mil
- 07/05/2014: 200 mil dólares = R$ 442 mil
OAS (5)
- 30/08/2011: 200 mil dólares = R$ 318 mil
- 31/08/2011: 200 mil dólares = R$ 318 mil
- 07/06/2013: 200 mil dólares = R$ 426 mil
- 28/11/2013: 200 mil dólares = R$ 462 mil
- 18/02/2014 (em parceria com GDF Suez Energy Latin America Participações Ltda): 200 mil dólares = R$ 478 mil
Queiroz Galvão (3)
- 31/08/2011: 200 mil dólares = R$ 318 mil
- 14/03/2013: 200 mil dólares = R$ 394 mil
- 15/03/2013: 200 mil dólares = R$ 394 mil
Camargo Correa (5)
- 06/09/2011: 200 mil dólares = R$ 330 mil
- 14/09/2011: 200 mil dólares = R$ 342 mil
- 16/11/2012: 200 mil dólares = R$ 416 mil
- 20/11/2012: 200 mil dólares = R$ 416 mil
- 04/06/2013: 200 mil dólares = R$ 424 mil
BTG Pacutal (3)
- 06/10/2011: 200 mil dólares = R$ 356 mil
- 09/04/2013: 200 mil dólares = R$ 396 mil
- 22/04/2013: 200 mil dólares = R$ 402 mil
TOTAL: R$ 11.830.000















