Brasil Lula recua do combate ao orçamento secreto, antes tratado como 'esquema de corrupção'

Lula recua do combate ao orçamento secreto, antes tratado como 'esquema de corrupção'

Enquanto era candidato, petista referia-se às emendas de relator como 'a maior excrescência política orçamentária do país'

  • Brasil | Marco Antonio Araujo, do R7

Equipe de transição petista não quer entrar em embate com o Congresso Nacional

Equipe de transição petista não quer entrar em embate com o Congresso Nacional

Waldemir Barreto/Agência Senado

Campanha é campanha, governo é governo. Esse período de transição para a gestão petista que assume em janeiro, porém, quebrou todos os recordes. Antes mesmo de assumir, Lula já está desdizendo suas promessas eleitorais.

Tratadas como um escândalo e como “o maior esquema de corrupção da história do país”, as emendas de relator, também conhecidas como orçamento secreto, receberam do candidato do PT toda a artilharia pesada possível, além do compromisso de que ele não governaria nesses termos com o Congresso. Palavras.

O “toma lá dá cá” — ou, na expressão de Lula, “a maior excrescência política orçamentária do país” — não mais incomoda o agora ex-candidato. E continuará como moeda de troca com deputados e senadores, ainda mais diante do já anunciado Projeto de Emenda Parlamentar sugerida pela equipe de transição, a PEC Fura-Teto de Gastos, versão turbo, estimada em R$ 170 bilhões.

O relator do Orçamento no Congresso Nacional, senador Marcelo Castro (MDB-PI), aliado do futuro governo, confirmou que a discussão sobre o fim das emendas nem sequer entrou no radar da equipe de transição.

O argumento para esse recuo resume-se a dizer que não é hora de entrar em um “embate” com o Congresso. Assim, as coisas continuam como estão. Alguns vão chamar isso de pragmatismo. Mas é só hipocrisia política mesmo.

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