Marina Silva descarta conversa com ex-ministro Joaquim Barbosa
Pré-candidata à Presidência pela Rede disse que, no entanto, dialoga com o PSB sobre eleições 2018
Brasil|Thais Skodowski, R7

A pré-candidata à Presidência da República pela Rede, Marina Silva, descartou uma chapa com o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, que se filiou ao PSB.
— Não temos conversado com o (ex) ministro Joaquim Barbosa. A última vez que conversamos foi naquele episódio do (senador) Renan Calheiros que não queria obedecer a decisão do Supremo.
A ex-senadora, no entanto, disse que não se opõe ao diálogo com o PSB e afirmou que uma possível candidatura de Joaquim Barbosa enriquece o debate político.
— Continuamos num processo de diálogo sem que necessariamente esse diálogo implique em que se tenha que abrir mão das candidaturas. Eu acho que no momento de trevas políticas em que estamos vivendo, quanto mais estrelas no céu, mais claro pode ficar o caminho.
Marina Silva conversou com jornalistas após participar da 19ª Conferência Anual do Santander, em São Paulo, nesta terça-feira (17).
Reformas
A pré-candidata disse que reformas são necessárias para resolver os problemas estruturais do país.
— Não só da previdência, mas também a reforma tributária, a reforma política. É fundamental que elas sejam feitas.
Sobre a reforma tributária, ela disse que é possível assumir a proposta de não aumentar os tributos e defende também um debate sobre o Imposto único.
— Não dá para ser populista e dizer que vai reduzir tributos porque nós vivemos num país que tem um déficit social enorme. No entanto, dá para dizer que não precisamos aumentar tributos, devemos sim simplificá-los.
Marina também defendeu uma reforma da previdência, mas criticou a maneira com que ela foi conduzida pelo presidente Michel Temer (MDB).
— O presidente Temer não tem legitimidade nem credibilidade para fazer a reforma (da previdência). Ele ganhou junto com a presidente Dilma (Rousseff) dizendo que o Brasil estava divino e maravilhoso e não precisava fazer nada. Bastava continuar os dois de mãozinhas dadas que o Brasil estava cor-de-rosa.
A pré-candidata defende uma reforma da previdência que enfrente os privilégios e não debata apenas com o setor empresarial.
Lula
Questionada sobre como atrair os votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), caso ele fique inelegível, Marina disse que prefere não ficar “canibalizando os votos” do petista.
— O eleitor do presidente Lula agora está sofrido em função do fato de que pelos erros que ele cometeu, agora está cumprindo uma pena. Atitude de respeito é não ficar canibalizando os votos dele. É tratar como um debate e que as pessoas possam se convencer de que aquilo que elas desejam é que se tenham políticas sociais que são justas, que se tenha o olhar para os mais pobres.
Prisão em segunda instância
A ex-senadora disse que é favorável a prisão após condenação em segunda instância.
— Ela repara uma injustiça que leva a impunidade, porque os que têm foro privilegiado ou quem têm o poder de pagar advogados caríssimos vão protelando o processo até que o crime venha prescrever.
Porém, ela enfatizou que é preciso que acabe o foro privilegiado.
— Só no Congresso Nacional nós temos 200 investigados entre senadores e deputados. Sem falar aqueles que estão escondidos no Palácio do Planalto, escondidos às claras, falando em cadeia nacional o tempo todo.
Aprendizado de 2014
Sobre o que aprendeu com a derrota em 2014, a pré-candidata disse que o aprendizado foi sobre os reais interesses dos candidatos.
— Uma coisa que todos nós aprendemos é que boa parte daqueles que estavam disputando a eleição, não estavam disputando a eleição para a presidência da República. Estavam disputando o controle de uma organização criminosa, que assaltou os cofres públicos.
Campanha franciscana
Marina disse que fará uma campanha sem muitos recursos e, por isso, criativa. Ela citou que não usará aviões particulares e que está recebendo a ajuda de amigas.
— Até chamei minhas amigas para fazer um brechó para ver se renova o guarda-roupa da candidata.















