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Marqueteiro do PT teria recebido dinheiro de caixa 2 durante campanha de Dilma, diz jornal

Os valores teriam sido recebidos em espécie durante a campanha de Dilma, segundo Folha

Brasil|Do R7

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Os valores seriam usados para pagar deslocamentos das equipes de Santana (foto), serviços de internet e produção de programas do PT
Os valores seriam usados para pagar deslocamentos das equipes de Santana (foto), serviços de internet e produção de programas do PT

A empresa de João Santana, marqueteiro do PT, teria recebido dinheiro vivo do caixa dois da empreiteira Odebrecht e também teria feito pagamentos em espécie, a fornecedores da campanha da reeleição de Dilma Rousseff contratados por ela, de acordo com reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta quinta-feira (31).

Segundo o jornal, a PF (Polícia Federal) estaria investigando indícios de que Mônica Moura, mulher e sócia do marqueteiro, fez pagamentos entre 2014 e 2015 com recursos ilegais recebidos da Odebrecht.


Os valores seriam usados para pagar deslocamentos das equipes de Santana, serviços de internet e produção de programas do PT com Dilma. O jornal afirma que a construtora Andrade Gutierrez “havia confirmado ter pago ilegalmente a fornecedores de Dilma, mas na campanha de 2010 — o que poderia ter efeitos para investigação criminal, mas dificilmente afetaria a situação eleitoral da petista”.

As contas do governo referentes ao ano de 2014 são alvos de inquérito no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que podem resultar na cassação da chapa da reeleição, atingindo tanto Dilma como seu vice, Michel Temer (PMDB).


O jornal apurou os dados cruzando as planilhas apreendidas pela Polícia Federal com depoimentos sigilosos da secretária da Odebrecht Maria Lúcia Tavares, uma das principais colaboradoras da Lava Jato.

A Folha afirma ainda que a Odebrecht usou doleiros em São Paulo e Salvador para fazer os repasses, em dinheiro vivo, para a empresa do marqueteiro. Foram identificados pagamentos nos sete meses seguintes ao segundo turno da eleição.


Um prestador de serviços da campanha de 2014 disse à Folha que esse tipo de pagamento em "cash" era feito pela própria Mônica.

Planilha


Uma planilha da Odebrecht chamada "Paulistinha", apreendida pela PF na casa da secretária, traz 41 pagamentos a "Feira" [codinome da equipe de Santana], num total de R$ 21,5 milhões.

A primeira entrega de R$ 500 mil ocorreu no dia 30 de outubro de 2014, apenas quatro dias depois do segundo turno. A última, também de R$ 500 mil, foi entregue em 22 de maio de 2015, no mês anterior à prisão de Marcelo Odebrecht e da cúpula do grupo.

A "Paulistinha", explicou Maria Lúcia, referia-se a entregas de dinheiro vivo na cidade de São Paulo. O "cash" era levantado com Alberto Novis, da Hoya Corretora de Valores e Câmbio —alvo da fase Xepa da Operação Lava Jato, o desdobramento da Lava Jato baseado nos depoimentos da secretária.

Outro lado

A Folha publica ainda que o ministro Edinho Silva (Comunicação Social), tesoureiro da campanha de Dilma à reeleição, disse ao jornal que “todos os pagamentos à Pólis, empresa de João Santana, foram feitos por meio de transferências bancárias, registrados na contabilidade e informados à Justiça Eleitoral”.

O jornal afirma que, segundo o ministro, a campanha de Dilma tinha contrato de R$ 70 milhões com a empresa do marqueteiro — desse valor, seriam R$ 50 milhões no primeiro turno e R$ 20 milhões no segundo.

O ex-tesoureiro teria afirmado que “nada foi pago ao marqueteiro pela campanha além destes recursos”. Sobre pagamentos em dinheiro vivo, na forma de caixa dois, a prestadores de serviços da Pólis, o ministro disse à Folha que a campanha não fez este tipo de operação e tudo o que foi pago está registrado oficialmente.

Segundo ele, a campanha só se responsabiliza pela própria contabilidade feita no período. De acordo com a Folha, as defesas do publicitário João Santana e da mulher dele, Mônica Moura, não se manifestaram até a conclusão da reportagem.

Citada como fonte de pagamentos clandestinos de R$ 21,5 milhões ao marqueteiro, a construtora Odebrecht não quis se manifestar.

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