Militares exaltam golpe de 1964 e disparam contra Comissão da Verdade

Associação diz que organização varre crimes hediondos de militantes ‘para debaixo do tapete’

Três associações de militares das Forças Armadas brasileiras — Clube Militar, Clube Naval e Clube da Aeronáutica — divulgaram uma carta aberta para comemorar o aniversário de 49 anos do Golpe Militar, que ocorreu na noite de 31 de março de 1964, com a deposição do então presidente João Goulart. O manifesto também critica a Comissão da Verdade e chama os membros de pessoas “disfarçadas de democratas”.  

O texto destaca que “o povo brasileiro, no início da década de 1960, em movimento crescente, apelou e levou as Forças Armadas Brasileiras à intervenção” em um “governo que, minado por teorias marxistas-leninistas, instalava e incentivava a desordem administrativa, a quebra da hierarquia e disciplina no meio militar e a cizânia entre os Poderes da República”.  

— Das consequências dessa intervenção, em benefício da Nação Brasileira, que é eterna, há evidências em todos os setores: econômico, comunicações, transportes, social, político, além de outros que a História registra e que somente o passar do tempo poderá refinar ou ampliar, como sempre acontece.  

Comissão da Verdade não vai descobrir muita coisa, diz Gabeira

Os militares aproveitaram o manifesto para disparar contra a Comissão da Verdade. A nota chama os integrantes de “democratas arrivistas, arautos da mentira”, que pretendem “dar lições de democracia”.  

— Disfarçados de democratas, continuam a ser os totalitários de sempre. Ao arrepio do que consta da Lei que criou a chamada “Comissão da Verdade”, os titulares designados para compô-la, por meio de uma resolução administrativa interna, alteraram a Lei em questão limitando sua atividade à investigação apenas de atos praticados pelos Agentes do Estado, varrendo “para debaixo do tapete” os crimes hediondos praticados pelos militantes da sua própria ideologia.  

Os militares destacam ainda a “credibilidade” das Forças Armadas junto à população brasileira e afirmam que a intervenção de 1964 resultou em “em benefício da Nação Brasileira, que é eterna”.  

— Há evidências em todos os setores: econômico, comunicações, transportes, social, político, além de outros que a História registra e que somente o passar do tempo poderá refinar ou ampliar, como sempre acontece.