Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais

Ministro da Justiça tenta mudar decisão da Suíça sobre caso Alstom

Suíços barraram cooperações porque dados sobre Robson Marinho vazaram para a imprensa

Brasil|Do R7

  • Google News
José Eduardo Cardozo vai tentar reverter decisão de suíços porque, além do Além do caso Alstom, agentes dos dois países trabalhavam em conjunto também nas investigações do cartel de trens
José Eduardo Cardozo vai tentar reverter decisão de suíços porque, além do Além do caso Alstom, agentes dos dois países trabalhavam em conjunto também nas investigações do cartel de trens

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou na última terça-feira (3) que fará gestões a fim de reverter o congelamento da cooperação da Suíça em investigações ligadas a desvios no Brasil. Paralelamente, a Procuradoria-Geral de Justiça e a Corregedoria-Geral do Ministério Público de São Paulo vão investigar o vazamento de informações sigilosas do caso Alstom, motivo pelo qual o país europeu decidiu parar de ajudar o Brasil.

O Estado revelou ontem que os suíços barraram as cooperações porque dados sobre o conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado) Robson Marinho e outros investigados do caso Alstom foram parar na imprensa.


Marinho é investigado sob suspeita de receber propina em troca de ajuda à multinacional francesa na obtenção de um contrato da área de energia do governo do Estado em 1998, durante o governo do tucano Mário Covas. Cerca de dez casos estavam sendo investigados de forma conjunta e passaram, agora, para o arquivo dos suíços. Além do caso Alstom, suíços e brasileiros trabalhavam em conjunto também nas investigações do cartel de trens.

Leia mais notícias de Brasil e Política


Explicações

Ontem, o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), vinculado ao Ministério da Fazenda, informou que oficiou o Ministério Público paulista a respeito do caso, além de ter escrito ao órgão correspondente na Suíça informando os procedimentos que adotou no manejo das informações do caso Alstom.


O Coaf se eximiu de responsabilidade em relação ao vazamento, e afirmou que, entre as informações divulgadas, além de dados financeiros, há "dados de cooperação jurídica, não disponíveis no Coaf". O conselho também afirmou que "não foi encontrado nenhum indício de que o vazamento teria ocorrido no Coaf".

O ministro da Justiça afirmou que ainda não recebeu nenhuma comunicação oficial do congelamento da colaboração, mas afirmou que o Brasil trabalhará para que a Suíça continue a cooperar com o Estado brasileiro. "Não recebi comunicação mas, caso isso se confirme, seguramente nós vamos fazer todas as gestões necessárias para que esta colaboração continue a ocorrer", disse Cardozo.


Apuração

Em nota enviada pela assessoria de imprensa, o Ministério Público afirmou que "a Procuradoria-Geral de Justiça está diligenciando para identificar se, de fato, ocorreu algum vazamento" e disse que "a matéria disciplinar é da alçada da corregedoria-geral".

O corregedor-geral do Ministério Público de São Paulo, Nelson Gonzaga de Oliveira, afirmou que um procedimento será aberto para verificar se algum promotor do MP foi o responsável pelo vazamento. "Estamos realmente com preocupação e iremos apurar eventual responsabilidade de alguém do Ministério Público", declarou.

Gonzaga informou que casos como esse podem configurar, além de uma infração administrativa, também um ilícito penal, uma vez que a quebra do sigilo funcional é crime previsto pelo código penal brasileiro. Por esse motivo é que a Procuradoria-Geral investigará também o caso, uma vez que a atribuição da corregedoria é apenas no âmbito administrativo.

"Como pode eventualmente configurar crime, infração penal, a competência originária (setor do MP que investiga detentores de foro privilegiado, inclusive promotores) também trabalha. Em casos assim nós compartilhamos as provas. O corregedor não pode solicitar, no âmbito administrativo, quebra de sigilo. Por isso o trabalho em conjunto com o setor originária."

Na nota enviada à reportagem, o Ministério Público também afirmou que "o promotor de Justiça Silvio Antonio Marques, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital (que capitaneia a investigação do caso Alstom no MP paulista), afirma que a suspensão da cooperação judicial pela Suíça não se confirma".

Mundial

O ministro da Justiça fez questão de ressalvar, no entanto, que problemas de vazamento ocorrem em todo o mundo. "No Brasil, nós temos tomado no âmbito das nossas policiais medidas de apuração, sempre que ocorrem vazamentos. Mas, todos os países do mundo estão sujeitos a situações como essa", declarou o ministro, lembrando que, "recentemente os Estados Unidos da América tiveram um grande vazamento e foi questão de segurança nacional e isso mostra que todos os países do mundo estão sujeitos a situações desta natureza".

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.