Ministros de Dilma defendem legalidade das doações e falam em “vazamento seletivo”
Após reunião com a presidente, Edinho e Cardozo foram escalados para eclarecer denúncias
Brasil|Do R7

O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Edinho Silva, se pronunciou neste sábado (27) sobre a delação premiada do presidente da UTC, Ricardo Pessoa, que acusou oito nomes do PT de receber ilegalmente doações. Segundo o ministro — que era tesoureiro da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014 e foi citado na denúncia — os recursos foram arrecadados de maneira ética e as contas da campanha foram auditadas e aprovadas por unanimidade pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Edinho Silva e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, foram escalados pelo Palácio do Planalto a responder as denúncias publicadas na sexta-feira (26) pela revista Veja. De acordo com a reportagem, a campanha da então candidata à Presidência recebeu R$ 7,5 milhões do esquema de corrupção na Petrobras por meio de doações da UTC. A delação de Ricardo Pessoa foi homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Durante entrevista coletiva, neste sábado (27), Edinho Silva repudiou as informações publicadas pela imprensa e disse estar indignado com o fato de seu nome ter sido envolvido na delação.
— A construção da tese de criminalização seletiva de doações, já que outras campanhas também receberam doações da UTC. Tenho convicção de que a verdade e a legalidade irão prevalecer. Não conheço o conteúdo da delação premiada e pedirei para ser ouvido nos autos do processo e se confirmado o conteúdo divulgado pela imprensa eu tomarei as medidas judiciais em defesa da minha honra.
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O ministro da Justiça afirmou que o governo não tomou conhecimento do conteúdo da delação do empreiteiro e que não pode afirmar a veracidade das informações. Pessoa afirmou ainda que receberam doações ilegais o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante (R$ 250 mil), o ex-tesoureiro João Vaccari Neto (R$ 15 milhões), José Dirceu (R$ 3,2 milhões), Fernando Haddad (R$ 2,6 milhões), José de Fillipi (R$ 750 mil), as campanhas de Dilma Rousseff em 2010 (R$ 7,5 milhões) e de Lula em 2006 (R$ 2,4 milhões).
Além de uma reunião de emergência que aconteceu na noite desta sexta-feira (26) no Palácio da Alvorada, Dilma Rousseff recebeu ministros e assessores no início da manhã deste sábado (27). Após a reunião com ministros, Dilma seguiu para a Base Aérea de Brasília de onde embarcou para visita oficial aos Estados Unidos. Alguns ministros acompanharam Dilma no avião presidencial. Outros, como Cardozo e Aloizio Mercadante, ficaram no Brasil.
Causou estranheza o fato de Mercadante não participar da coletiva, mas Cardozo afirmou que ele se pronunciará em breve.
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, internado na noite de ontem (26) com embolia pulmonar, viajaria com Dilma no avião presidencial, mas vai embarcar à noite em um voo comercial.
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O objetivo das reuniões entre Dilma e os ministros era preparar uma estratégia de defesa política para o agravamento da crise após a delação premiada. O encontro atrasou o embarque da presidente para os Estados Unidos.
O governo avalia que perdeu totalmente o controle da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Apesar de guardar como munição os nomes de adversários citados pelo empresário, o governo teme que a delação de Pessoa acirre o clima de confronto.
Defesa da honra
Segundo Cardozo, Dilma afirmou antes de viajar aos Estados Unidos que os seus colaboradores que tiveram a honra ofendida no depoimento de Pessoa devem se defender.
O ministro disse, ainda, que delações premiadas não são provas definitivas e sim guias de investigação. Ele afirmou ser importante ter acesso ao conteúdo dos depoimentos do dono da UTC para que os mencionados neles possam se defender.
O dinheiro pago irregularmente aos políticos, segundo Pessoa, seria do esquema de corrupção instalado na Petrobras com o chamado clube de empreiteiras, coordenado pelo dono da UTC.
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