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Movimentos sociais e sindicais planejam paralisações e novos protestos contra impeachment de Dilma

Foco agora será fazer ‘corpo a corpo’ com senadores para barrar processo no Senado

Brasil|Diego Junqueira, do R7

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Torcedores do Corinthians também se uniram ao protesto contra o impeachment da presidente Dilma
Torcedores do Corinthians também se uniram ao protesto contra o impeachment da presidente Dilma

Os movimentos sociais e sindicais que estiveram na tarde deste domingo (17) no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, durante protesto contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, afirmam que irão manter os protestos de rua para pressionar o Senado a não aprovar o fim do governo da petista. O processo foi aprovado na tarde de ontem por ampla maioria na Câmara dos Deputados.

Paralisações de trabalhadores estão no horizonte, como já anunciou João Pedro Stédile, um dos coordenadores do MST (Movimento Sem Terra), ao prometer uma “paralisação nacional” em caso de aprovação do processo de impeachment na Câmara.


Mas enquanto o Senado não instaurar o processo na Casa — o que levará ao afastamento temporário de Dilma do cargo por 180 dias —, a estratégia será fazer “corpo a corpo” com os senadores.

Para o presidente da CUT (Central Única de Trabalhadores) de São Paulo, Douglas Izzo, é preciso “nesse momento” fazer “todo um trabalho de convencimento dos senadores”.


— Nós continuaremos a mobilização nas ruas, mas também vamos tentar convencer os senadores a não aprovarem o pedido de impeachment da presidenta.

Questionado a respeito de medidas mais enérgicas como “greves e trancamento de estradas”, Izzo disse que essas estratégias são “consideradas” porque o projeto do PMDB para a Presidência “apresenta como solução para o Brasil um aprofundamento da terceirização e a flexibilização da CLT”


— [O projeto Ponte Para o Futuro] garante, por exemplo, que o negociado esteja acima do legislado, e isso significa rebaixamento de direitos dos trabalhadores. Ele [Temer] está propondo uma série de medidas que significam um remédio amargo para os trabalhadores. Medidas como essas vão ser combatidas nas ruas pelos movimentos sociais e pela Centra Única dos Trabalhadores.

Representantes de funcionários da Petrobras afirmam estar incorporados à mobilização para “defender a estatal” — a petrolífera está no centro do escândalo de corrupção que arrasta partidos da base aliada e da oposição em Brasília.


O coordenador da regional de Campinas do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo, Gustavo Marsaioli, de 30 anos, diz que, “independente do resultado do processo de impeachment, a gente tem que estar mobilizado para tentar barrar tentativas de privatização da estatal”.

— A gente ainda está discutindo com os trabalhadores um processo de mobilização intensa.

Mecânico de manutenção na Replan (Refinaria de Paulínia), Marsaioli afirma que serão discutidas a possibilidade de paralisações com os trabalhadores.

— No ano passado a gente fez uma greve de 15 dias contra o plano de venda de ativos da empresa, o que mostra que temos capacidade de diálogo nesse sentido. Pelo que temos conversado [com os funcionários], acredito que temos condições de construir um processo de paralisação junto com outras categorias dentro da Petrobras.

Os protestos não seriam exclusivamente contra o impeachment, diz ele, mas àquilo que se refere “mais diretamente a nós, que é a defesa da empresa, até porque as pessoas têm essa clareza de que, dependendo da pessoa que estiver lá [na Presidência], existe uma facilidade maior de que seja tentado privatizar a empresa”.

Instabilidade política

O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, atual secretário municipal de saúde de São Paulo, era um dos poucos políticos presentes no Anhangabaú neste domingo.

Ele afirmou que irão “lutar até o último minuto” e prevê ainda “seis meses de instabilidade política”, em referência ao tempo máximo que a presidente pode ficar afastada, em caso de o Senado instaurar o processo.

— Não vamos permitir que uma presidente que não cometeu crime seja retirada por um processo conduzido por um réu do Judiciário que é o Eduardo Cunha.

O acampamento montado há cerca de um mês na Praça do Patriarca irá continuar, segundo os organizadores. Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, que lidera o MMC (Movimento de Moradia do Centro), disse que o movimento não irá recuar e que não haverá trégua.

— Se porventura esses caras ganharem, nós vamos tomar Brasília de assalto. Vamos acampar na porta da casa de deputados e senadores. Queremos que esses caras respeitem o nosso voto.

Gegê afirma que, mesmo sob Dilma, a luta por moradia “já é difícil” nas grandes cidades brasileiras, mas que a situação pode piorar em caso de mudança no governo.

— Com eles [oposição], nós temos certeza que não vamos ter nada. Eles já estiveram no governo e nunca tivemos nada.

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