MPF: preço de obras do Rodoanel era dividido entre "briga" e "amor"
Diferença de valores previstas pelas empreiteiras entre as licitações legítimas e as do cartel superava os R$ 100 milhões
Brasil|Alexandre Garcia, do R7

As empreiteiras envolvidas nas licitações dos trechos do Rodoanel dividiam os lotes da obra em dois quadros, nomeados de "briga" e "amor". As nomenclaturas diferenciavam os casos de disputa real de preços e os em que todas as empresas participantes faziam parte do cartel.
A denúncia do MPF (Ministério Público Federal) aponta que a diferença de valores entre os quadros superava os R$ 100 milhões em um dos lotes.
"Isso demonstra a gravidade da conduta e a magnitude dos danos não apenas aos demais concorrentes do mercado, mas ao erário, ou, em último sentido, a toda a sociedade", afirma o MPF.
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De acordo com o órgão, as planilhas "briga" e "amor" foram criadas pela Odebrecht em um momento em que o cartel "corria riscos". "Com 'amor', a obra saía bem mais cara", destaca.
Na divisão, cada um dos lotes foi listado pela Odebrecht com preços entre R$ 496 milhões e R$ 567 milhões dentro do esquema intitulado "amor". Em caso de “briga”, com concorrência real, as propostas despencariam para entre R$ 410 milhões e R$ 518 milhões.
A divulgação dos resultados dos cinco lotes foi feita em 27 de abril de 2006, "com os consórcios previstos como vencedores e os preços quase idênticos aos que a Odebrecht previu na tabela do 'amor'", avalia o Ministério Público.
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